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00Fleming: crÃtica a um crÃtico
 Para que quem tiver lido a crÃtica e quiser ficar esclarecido, aqui vai o contraditório que espero a publicação em causa garanta. Como é mensal, levará um mês a efectivar-se, a acontecer. «Vejo na página 66 da revista Os Meus Livros uma irónica contradição entre o meu livro 00Fleming, Ensaio sobre a Imortalidade merecer cinco estrelas e uma crÃtica rude ao mesmo, que o tÃtulo da prosa «Ensaio sobre a banalidade» resume. Deve um autor sujeitar-se à crÃtica sem réplica? Duvido. Mas o que um autor não pode é consentir que aos leitores seja servida, como se crÃtica fosse, uma análise em que se produzem afirmações erróneas, contraditórias. Rogo, pois, a publicação deste texto. Dizer que o meu trabalho é «demasiado superficial para os entusiastas do agente 007 e demasiado impenetrável para quem procure nele uma primeira porta de entrada no universo de Fleming» é obviamente uma contradição patente. Os «entusiastas» do 007 são na sua maioria cinéfilos deliciados com as aventuras sem ideias com que Hollywood abastardou a personagem, quantos não leram um livro sequer de Fleming [desde as da Portugália as edições em português são quase nulas] e o meu livro não pretende declaradamente ser «uma porta de entrada» na escrita de Fleming, sim uma elaboração sobre ela, de outro modo teria outro estilo e não se chamaria ensaio. Na ânsia de jogar com palavras, o crÃtico nem percebeu em que nó se mete. Fosse só isso… Dizer que o meu livro «pouco mais faz do que resumir aquilo que já conhecemos [sic] de centenas de obras anteriores», é de uma arrogância hilariante. O crÃtico obviamente não leu centenas de obras sobre o Fleming e se escreve assim só pode ser para se dar ares de conhecedor. No fim do livro cito as referências do meu trabalho, que começou nos Arquivos Nacionais britânicos. Mas há mais. Afirmar que ignoro o impacto que o Bond cinematográfico «teve no próprio Fleming» é não saber nada, nem ter lido sequer o que escrevi com atenção. Fleming não teve tempo de vida para assistir senão a dois filmes da série e não se entusiasmou com nenhum. A cinematografia Bond começou em 1962, Fleming morreu em 1964. Dizer que eu me disperso «demasiado nos aspectos ocultistas da obra» é não ter dado conta, primeiro, que eles são uma evidência num homem que traduziu um escrito de Carl Jung sobre o alquimista Paracelso, pelo que o tema tem de ser referido e, segundo, que eu confessadamente os reduzo [9 páginas em 102], exactamente para não alinhar o meu escrito nesse tópico que é causa de perda de credibilidade. Com destaque, diz o crÃtico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores», pois terei dito que «quando foi assassinado Kennedy estava a ler um livro de Bond». Gargalhada sonora. É óbvio que «quando foi assassinado» o malogrado Presidente não estava a ler livro algum! O que eu digo é que «na noite anterior estaria a ler um livro», condicional dubitativo percebe? E digo a seguir que tudo isso é «uma lenda». Cinco estrelas, sim, mas para o crÃtico! Pelas piores razões. Em suma, se o meu livro é mau, esta crÃtica é péssima».
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Joaquim Furtado: a guerra em Ãfrica, uma ferida por sarar?
 Em Faro. No Pátio de Letras, uma livraria, um espaço de convÃvio cultural. A casa cheia para ouvirem Joaquim Furtado falar sobre os documentários que tem vindo a realizar para a RTP sobre a guerra em Ãfrica. Ambiente amigo, conversa emotiva, franca. Houve quem, pela primeira vez, tenha ousado dizer: «eu estive lá». Uma ferida na sensibilidade de Portugal e da suas antigas possessões além-mar começa a cauterizar-se, sangrando. Obrigado Joaquim pela generosidade, obrigado Liliana, pelo esforço tremendo que tem permitido manter a iniciativa de pé. No dia 25 inaugurar-se-á no Espaço de Memória uma exposição permanente sobre a guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Faltam poucos dias e imenso trabalho. Surgirá.
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Espaço de Memória
Inaugura-se hoje em Faro, pelas 17:30. Chama-se Espaço de Memória. «Tudo começou há vinte anos: decidi então juntar à vida que já tinha vivido como advogado, uma outra, a aventura da escrita. O tema surgiu, como tanto do que é importante na vida, de um acaso. Comecei a escrever artigos na imprensa, assinando-os com parte do meu nome: Chamo-me José António Rebelo da Silva Barreiros, assinava como António Rebelo da Silva. Simbolicamente era parte de mim que assim se representava, a mostrar que restava o outro, para o qual sobejavam os nomes de José Barreiros. Um dia, ganhei ânimo e juntei tudo em livro. Felizmente está esgotado, porque é daquelas obras que não nos envergonham, fazem-nos apenas sentir um acesso de timidez pela sua ingenuidade. Chama-se A Lusitânia dos Espiões. Foi assim que surgiu este interesse pela guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Verdadeiramente não sei porquê, mas na vida nem tudo tem explicação, porque há o mistério» [ continua aqui]
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