|
A audição da provedora da Casa Pia terminou sem que ficasse esclarecida uma das principais dúvidas que foram colocadas com insistência pela juíza Ana Peres afinal, como foi possível que ao longo dos anos se mantivesse uma quase tradição de abusos sexuais e nesse sentido a quem atribuir as responsabilidades. É que Catalina Pestana referiu no Tribunal que tinha entrado na Casa Pia "em 1975, como professora" e, se bem que com algumas interrupções temporais, a verdade é que se manteve em estreito contacto com a instituição, chegando, por fim, ao cargo de provedora. Assim, o testemunho de Catalina Pestana mostrou que tinha um conhecimento real das condições que eram vividas na instituição, mas a razão de tudo se ter mantido ao longo do tempo - "não posso dizer se tem décadas ou mais, nem se houve algum período em que não acontecesse" - não foi explicada na sala de audiências. A testemunha chegou mesmo a recordar um caso de abusos sexuais e envolvendo um monitor ocorrido em finais da década de 90 e passado no Colégio de Santa Catarina. "Comuniquei o caso ao provedor - nessa altura, o doutor Luís Rebelo" - e falei-lhe também de "vídeos pornográficos" que estavam na posse do monitor e que seriam usados nesses abusos. Catalina Pestana diz que entregou os vídeos ao provedor e este prometeu que ia "guardar os vídeos no cofre e ia entregar o caso à PJ", mas nem uma coisa nem outra. Neste cenário de impunidade, a juíza Ana Peres quis saber se, ao longo desse tempo, nunca tinha sido possível agir no sentido de contrariar e como poderiam ter acontecido todos esses abusos ao longo de tantos anos, sem responsabilidades atribuídas. Catalina Pestana ainda referiu que "talvez a culpa seja de todos nós", mas a resposta não satisfez Ana Peres, que insistiu numa explicação mais concreta. Foi então que a provedora da Casa Pia revelou a existência de uma espécie de "lei do silêncio", que vigorava ou ainda vigora entre os internos da instituição "Se, por exemplo, alguém parte um vidro qualquer, os alunos não denunciam nenhum deles. Podem ficar todos de castigo, mas não denunciam". Parece ser pois na "lei do silêncio" que se resguarda todo um rosário de abusos sexuais de menores ao longo dos anos, mas a constante insistência de Ana Peres não parou, tanto mais que já não é a primeira vez que todas estas situações são referidas no tribunal, sem que se chegue a perceber quem realmente é o responsável, ou a quem poderão ser atribuídas responsabilidades. Catalina Pestana, no entanto, argumentou com a falta de recursos humanos que também atinge a instituição, para justificar eventuais lacunas no controlo dos alunos. Deu como exemplo que "só devido a esta crise" e ao "escândalo" foi possível "contratar 68 monitores no ano passado. Isso foi graças ao senhor ministro Bagão Félix". Notícias relacionadas:
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||




Existe(m) 2 comentário(s) a esta notícia.
Comentário: Os responsáveis por "reparar" as vítimas de abusos sexuais na Casa Pia, já abandonaram a Instituição, mas deixaram um proscrito. Este, ficou entregue à miséria. Os responsáveis têm rosto, chamam-se BAGÃO FÉLIX e CATALINA PESTANA, até já!