O pedido do advogado José Maria Martins, na 70ª sessão do julgamento de pedofilia da Casa Pia, a decorrer no Tribunal de Santa Clara, Lisboa, surgiu na sequência das declarações de um jovem da instituição, que implica todos os arguidos em casos de abuso sexual.
O jovem, actualmente com 20 anos, relatou ter sido abusado pelo apresentador de televisão Carlos Cruz, pelo médico Ferreira Diniz e pelo ex-provedor da instituição Manuel Abrantes. Mas Carlos Cruz e João Ferreira Diniz não respondem em julgamento por qualquer crime relacionado com esta testemunha, alegadamente por estes terem prescrito ou expirado o prazo para apresentação de queixa.
As poucas informações transmitidas aos jornalistas revelaram que - face às declarações do jovem, que hoje prestou depoimento pela quinta vez - José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino, entendeu que estas incriminavam Carlos Cruz e pediu uma alteração substancial dos factos, para imputar um crime de lenocínio (favorecimento de prostituição) ao apresentador de televisão.
O jovem prestou hoje esclarecimentos à defesa de Carlos Silvino e à de Manuel Abrantes, representado por Paulo Sá e Cunha, que continuará a interrogar o jovem na próxima quarta-feira.
À saída do tribunal, José Maria Martins limitou-se a comentar: «não podemos dizer quase nada, temos que esperar pelo comunicado do
tribunal, mas correu bem».
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