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Anfíbios estão seriamente ameaçados, alertam especialistas
publicado em 2006-07-08 11:54:34
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Um grupo de cerca de 50 cientistas pediu à comunidade internacional que tome medidas urgentes para evitar a extinção dos anfíbios, sinal claro da deterioração geral do meio ambiente.
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Num apelo publicado na revista "Science", sob o título "Biodiversidade: Enfrentar a extinção dos anfíbios", um grupo de especialistas garante ser necessário um investimento de 400 milhões de dólares para a conservação de várias espécies de batráquios, classe na qual se incluem rãs, sapos, salamandras e tritões. Se este alerta não surtir efeitos, prevê-se um verdadeiro cataclismo natural.
Para esse efeito, os ambientalistas criaram um programa - Amphibian Survival Alliance - através do qual pretendem, ao longo de cinco anos, fazer um levantamento da situação, desenvolver trabalhos de campo, e salvar alguns dos espécimes mais ameaçados, retirando-os do seu habitat e transportando-os para ambientes mais protegidos, como jardins zoológicos e reservas ecológicas.
Os cientistas garantem que, das cerca de 5700 espécies conhecidas, um terço corre sério risco de extinção, devido às alterações climatéricas, à destruição do habitat, ao aumento das radiações ultra-violeta e da poluição, e à contaminação por pesticidas, entre outras ameaças.
Calcula-se que, desde 1980, tenham desaparecido pelo menos 122 espécies. Actualmente, o maior inimigo dos anfíbios é um fungo, Batrachochytrium dendrobatidis , identificado pela primeira vez em 1998, que parece ter-se alastrado a várias zonas da Europa, América e Austrália. A doença que este provoca (chytridiomycosis ) começa por afectar a pele dos animais - permeável e muito sensível -, que fica obstruída, impedindo a passagem de ar e de água. Normalmente, a doença é mortal.

| Em zonas onde a propagação tem sido viral, nomeadamente no Panamá e na Colômbia, a única solução é retirar os animais do seu habitat natural e mantê-los em cativeiro. Se tal não for feito, é de prever que em apenas seis meses esta enfermidade dizime metade dos animais das várias espécies de anfíbios.
"Pela primeira vez na história moderna (...) estamos a enfrentar o risco de extinção de toda uma classe de organismos", frisou Claude Gascon, da Conservation International (CI). "Não estamos a falar de um panda ou de um rinoceronte, mas de uma classe de animais", acrescentou. Simon Stuart, da CI, é mais optimista: "Enfrentamos uma situação de crise, mas acredito que podemos produzir alguns resultados", afirmou à BBC. "A questão é: quantas espécies é que vamos perder? Vamos perder centenas até conseguirmos estabilizar a situação ou apenas umas dezenas. O tempo é crucial, e para lutar contra o tempo precisamos de recursos humanos, experiência e investimento financeiro", assegurou à mesma fonte.
Como quase todas as classes de animais, os anfíbios desempenham um papel importante nos ecossistemas, já que comem insectos (importantes transmissores de doenças para o homem), servem de alimento para animais de maior porte, e são muito usados pela indústria farmacêutica, em pesquisa de novos fármacos.
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