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«Corrida» aos centros de emprego
publicado em 2007-09-03 20:11:16
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Dois dias depois da divulgação da lista de colocação foram muitos os professores que se dirigiram, esta segunda-feira, aos centros de emprego. Mais de 44 mil docentes ficaram este ano fora das escolas. A ministra da Educação justifica esta situação com um desajuste entre a oferta e a procura.
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Milhares de professores apressaram-se, esta manhã, a pedir o subsídio de desemprego. A agência Lusa refere os docentes esperaram várias horas antes de serem atendidos em vários centros do norte do país.
Este ano foram mais de 44 mil e 700 candidatos a preencher necessidades residuais de docentes que ficaram sem colocação. Uma situação criticada pelos sindicatos.
Salomé Ribeiro, do Sindicato dos Professores do Norte, adianta que a corrida «em massa» aos centros de emprego não é de admirar. «Foram muitos, porque ficaram muitos professores desempregados, alguns deles que já leccionam há muitos anos, o subsídio é que vai colmatar as necessidades que têm», afirmou.
A sindicalista considera que o cenário na classe docente é cada vez mais preocupante a cada ano que passa, adianta Salomé Ribeiro.
«Cada vez se verifica mais que a precariedade da classe docente está a aumentar, há mais docentes com mais anos de serviço que se mantêm nesta precariedade durante anos a fio, há pessoas com dez anos de serviço, há pessoas que perspectivavam uma construção de vida tendo em conta que ficariam efectivos mais cedo. Neste momento verifica-se uma precariedade maior do que em muitas profissões», adiantou.
A Fenprof iniciou, esta segunda-feira, uma série de acções, em todo o país alertando para este problema. A estrutura sindical diz que milhares de docentes ficaram sem colocação.
A iniciativa englobou testemunhos de docentes desempregados e a distribuição de comunicados à população para sublinhar «a importância do combate às políticas anti-sociais» que, segundo a estrutura sindical, mantêm milhares de professores no desemprego.
De acordo com a Fenprof, nos últimos dois anos lectivos deixaram o sistema educativo 10.725 professores que não foram substituídos, estimando a federação que a rede do Ministério da Educação (ME) pode perder até 12 mil professores em 2007/08.
No encontro, com os jornalistas a ministra da Educação foi confrontada com as criticas dos sindicatos que denunciam um aumento do desemprego entre os professores.
Maria de Lurdes Rodrigues afirma que há um desajuste entre a oferta e a procura. A ministra da Educação garante que entende o drama de todos os que ficaram no desemprego.
«Só quem nunca na vida teve uma situação de precariedade ou de desemprego é que não sabe o dramatismo destas situações, portanto gostava de não desvalorizar isso, porque percebo perfeitamente a situação das pessoas que têm uma expectativa de ter determinada uma ocupação e não conseguirem», adiantou.
Maria de Lurdes Rodrigues salientou que «mais de metade destes candidatos a professores são de ciclos de ensino que não estão em crescimento, são educadores de infância, professores do primeiro e segundo ciclo, que só podem ter como saída profissional estes ciclos, que são justamente aqueles que não estão em crescimento».
A ministra da Educação afirmou que anualmente as necessidades do Ministério são transmitidas ao Ministério do Ensino Superior para que informe as instituições universitárias, mas que não se pode impedir ninguém de seguir a carreira de professor.
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