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Dias André nega pressões para envolver partidos políticos
publicado em 2006-06-10 10:22:43
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Um dos principais investigadores do caso de pedofilia na Casa Pia, Dias André, negou esta sexta-feira em tribunal ter recebido ordens para, durante a investigação, envolver pessoas de acordo com determinado «quadrante político».
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Na sessão desta sexta-feira, o advogado do arguido Manuel Abrantes, Paulo Sá e Cunha, perguntou a Dias André se alguma vez recebera ordens ou fora pressionado para «visar pessoas de um quadrante político». Ao que o investigador Andrá Dias respondeu negativamente.
O inspector-chefe da PJ, reformado desde o início do mês, foi dos principais responsáveis pela investigação deste processo de pedofilia que culminou com a constituição de sete arguidos e começou a ser ouvido esta semana no tribunal de Santa Clara, em Lisboa, na qualidade de testemunha arrolada pelo Ministério Público.
A pergunta surgiu a propósito de questões levantadas por Paulo Sá e Cunha referentes a buscas que foram feitas em casa de Manuel Abrantes, ex-provedor adjunto da Casa Pia, quando os investigadores levaram um determinado número de fotografias.
Paulo Sá e Cunha explicou mais tarde aos jornalistas que foram levadas pela PJ várias fotografias de Manuel Abrantes em cerimónias públicas onde estavam presentes diversas figuras públicas ligadas ao PS, como Simões de Almeida, Ferro Rodrigues, João Soares ou Soares Louro.
No tribunal, Dias André foi também interrogado pelos advogados dos arguidos Jorge Ritto e Carlos Cruz, embora fosse este último, Ricardo Sá Fernandes, quem deixou o investigador mais vezes sem resposta.
O advogado acusou mesmo o investigador da PJ de, nos interrogatórios às vítimas/testemunhas dos actos de pedofilia, não ter seguido os procedimentos de um manual que ele próprio (Dias André) ajudou a criar.
Conhecer o processo de cada jovem abusado antes de o inquirir ou acompanhar as entrevistas com um psicólogo fazem parte dessa lista de actos que não foi seguida, disse Sá Fernandes, com o investigador a admitir que nem sempre a teoria e a prática se coadunam e a acrescentar que pedira para a equipa a presença de uma psicóloga clínica e que um seu superior hierárquico (Artur Pereira) sempre negou.
Ricardo Sá Fernandes quis ainda saber como é que a PJ concluiu que Carlos Cruz ia fugir do país na noite em que foi preso preventivamente, já no Algarve, e se tal conclusão resultou apenas de uma chamada anónima, de Carlos Cruz ter rescindido o contrato com a televisão SIC e pelo facto de, na noite em que partiu em direcção ao Algarve, várias pessoas se terem ido despedir dele à casa de Cascais.
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