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Director do Público diz que jornalistas foram pressionados
publicado em 2007-04-12 23:25:44
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O director do Público defendeu esta quinta-feira, à saída de uma audição na entidade reguladora dos media, que os jornalistas daquele jornal foram pressionados pelo gabinete do primeiro-ministro, admitindo no entanto que, pessoalmente, não sofreu tentativas de condicionamento.
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José Manuel Fernandes disse aos jornalistas, depois de ser ouvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), «que uma alusão a um processo judicial é, no meu entender, uma pressão ilegítima sobre quem está a escrever uma notícia».
De acordo com o director, os jornalistas do Público questionaram o gabinete do primeiro-ministro acerca da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente, tendo os assessores de imprensa tentado que o artigo não fosse publicado.
«Toda a argumentação do gabinete [de José Sócrates] nos quase 10 dias que decorreram entre a pergunta para o primeiro-ministro e a publicação do artigo era que o tema [da licenciatura] não era notícia e que se tratava de uma cabala», avançou José Manuel Fernandes.
Os telefonemas procuravam, segundo o mesmo responsável, convencer os jornalistas do Público que não devia ser publicado o artigo e que não havia ali notícia.
«No meu caso concreto, não houve nenhuma alusão a um possível processo judicial» caso o jornal insistisse em divulgar a notícia, referiu José Manuel Fernandes, admitindo terem «sido feitas alusões em conversas com os jornalistas».
A ERC está hoje a ouvir os directores e jornalistas envolvidos no artigo publicado a 31 de Março pelo semanário Expresso sobre tentativas de condicionamento dos media pelo Governo, tendo agendado para a próxima quarta-feira uma audição com o assessor do primeiro-ministro David Damião.
SIC nega pressões
Também ouvido hoje à tarde pelo conselho regulador da ERC, o director da SIC Notícias, Ricardo Costa, negou aos jornalistas que os jornalistas do canal tenham sentido qualquer pressão relativamente a notícias sobre a licenciatura de José Sócrates, e considerou que a ERC «está a fazer uma tempestade num copo de água».
Garantindo que «a SIC não teve nenhuma ameaça de processo judicial», Ricardo Costa admitiu considerar que uma ameaça de processo judicial «é uma pressão mais grave mas não é ilegítima».
Hoje foram ouvidos jornalistas e directores de informação. Na próxima semana, quarta-feira, a Entidade Reguladora da Comunicação Social vai ouvir as explicações de David Damião, o assesssor de imprensa do primeiro-ministro.
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