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Distracções afectam aprendizagem
 publicado em 2006-07-30 01:43:51

O que nos distrai quando estamos a aprender algo torna esses conhecimentos mais difíceis de usar no futuro, afirma um estudo recente.
Distracções afectam aprendizagem
Executar várias tarefas simultaneamente pode ser uma necessidade, mas não é uma boa ideia.
Pelo menos é o que revela um estudo recente, publicado pela revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.
A investigação vem dar razão aos pais que dizem aos filhos para não estudarem com a televisão ligada, defendendo que as distracções afectam a aprendizagem, tornando os conhecimentos adquiridos mais difíceis de usar no futuro.

Russell A. Poldrack, professor de psicologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles, explica porquê: "Mesmo que alguém possa aprender quando está distraído, o modo como aprende torna o conhecimento menos eficiente e útil".

A equipa de investigadores distingue entre duas formas de o cérebro apreender: Uma, chamada aprendizagem declarativa, envolve o lobo temporal medial, e lida com a aprendizagem de factos activos que podem ser recordados e usados com grande flexibilidade.
Outra, envolve o striatum (parte do cérebro associada ao prazer), e é chamada aprendizagem por hábito.
Para memorizar um número de telefone, por exemplo, pode usar-se simplesmente a aprendizagem declarativa e recordá-lo sempre que necessário.
Mas também pode fazer-se por hábito, "marcando o número muitas vezes e, mesmo que não se fixe conscientemente, pode pegar-se num telefone e marcá-lo", afirma o investigador.
O problema, segundo o especialista, é que os dois tipos de aprendizagem parecem competir um com o outro, levando a que, quando se está distraído, a aprendizagem por hábito prevaleça sobre a declarativa.
"Quando uma criança está a tentar aprender novos conceitos, novas informações, a distracção diminui-lhe a capacidade de aprendizagem", o que não significa que o silêncio absoluto seja essencial, já que a música pode torná-la mais feliz, afirmou.

O método

Os investigadores usaram imagiologia cerebral para analisar partes do cérebro activas quando 14 pessoas estavam a aprender.
Foi pedido aos participantes que previssem o tempo a partir de uma série repetida de pistas.
Durante parte da aprendizagem, foi-lhes acrescentada uma segunda tarefa em que tinham de contar mentalmente toques sonoros que iam ouvindo, introduzindo assim um elemento de distracção.
O resultado mostrou que na aprendizagem de uma única tarefa, o cérebro usa a região associada à memória declarativa, enquanto que na atenção a duas tarefas simultâneas usa a região da memória por hábito.
A aprendizagem simultânea das duas tarefas não afectou a capacidade dos participantes de prever o tempo naquele momento, mas reduziu os seus conhecimentos sobre essa tarefa durante uma sessão posterior.

Links relacionados
Proceedings of the National Academy of Sciences
Universidade da Califórnia




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