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Encontrada vulnerabilidade no vírus da SIDA
publicado em 2007-02-19 10:09:49
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A descoberta de uma "porta de entrada do vírus", resultado de mais de 10 anos de investigação, pode agora abrir caminho para o desenvolvimento de uma vacina contra a doença.
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Uma pesquisa que dura há mais de dez anos revelou agora os seus frutos. A equipa de Peter Kwong, dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, encontrou um ponto vulnerável nas defesas do vírus que causa a SIDA. De acordo com pesquisa divulgada pela revista Nature, os cientistas simularam um ataque de anticorpo capaz de explorar essa falha.
A equipa responsável pelo estudo examinou toda a estrutura do vírus, que muda frequentemente para escapar das defesas do corpo, e concluiu que uma proteína chamada gp120, que fica na superfície do HIV, pode ser a chave para curar a doença. Segundo os médicos americanos, esta é uma das poucas partes do vírus que não passa por mutações, tornando-se assim um ponto fraco do HIV.
"Trata-se de um passo crucial, já que se descobriu a porta de entrada do vírus, aquilo a que se poderá chamar a sua "cara escondida" ou "calcanhar de Aquiles", e o mecanismo da entrada do vírus, a nível molecular", afirmou João Gonçalves, professor do Centro de Patogénese Molecular da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, que trabalhou na Harvard Medical School, em Boston (Massachusetts) com membros da equipa de Peter Kwong.
Processo longo e complexo
A equipa de Peter Kwong examinou à escala atómica a evolução passo a passo da configuração do sítio de ligação entre a glicoproteína viral 120 (GP120) e o receptor CD4 da célula-hóspede.
Antes, os investigadores conseguiram observar de que forma é que o anticorpo b12, descoberto no sangue de portadores assintomáticos de HIV, cria uma ligação química estável com a molécula viral GP120. Este anticorpo liga-se à molécula viral GP120 no mesmo sítio onde esta última se pode agarrar ao receptor CD4, porta de entrada nas células imunitárias. Ao fixar-se à molécula viral, o anticorpo impede-o de entrar na célula imunitária.
Além da possibilidade de desenvolvimento de novos fármacos, a descoberta abre também caminho a uma vacina contra o HIV, que tem sido um dos grandes desafios da comunidade científica.
Links relacionados: Nature Harvard Medical School
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