|
«A legitimidade de um primeiro-ministro vem dos votos, não dos títulos académicos. Mas, utilizar um título que não se tem, fazer passar-se por aquilo que não é revela uma falha de carácter, mina a credibilidade e afecta sua a autoridade», afirmou o líder do PSD, Luís Marques Mendes, numa conferência de imprensa na sede do partido, cerca de meia hora depois do fim da entrevista a José Sócrates. A entrevista que o primeiro-ministro deu hoje à RTP e à RDP, que se prolongou por cerca de 90 minutos, centrou-se nos esclarecimentos sobre as dúvidas levantadas ao longo das últimas três semanas sobre o seu percurso académico. Esclarecimentos que Marques Mendes considerou terem sido insuficientes. «Restam muitas dúvidas, o que é muito prejudicial no plano interno e no plano internacional», sustentou Marques Mendes. Para dissipar todas as dúvidas, Marques Mendes afirmou haver uma única solução, sugerindo a José Sócrates que solicite uma investigação a uma entidade independente, não tutelada pelo Governo. «Só há uma solução: que o primeiro-ministro tome a iniciativa de pedir a uma entidade independente, não tutelada pelo Governo, uma investigação», adiantou, salientando que «quem não deve, não teme». Questionado sobre que tipo de entidade é que se estava a referir, o líder social-democrata escusou-se a especificar, argumentando que não lhe cabe a si «concretizar». «É fácil encontrar uma entidade assim, mas não me cabe a mim concretizar», disse, afastando, contudo, a hipótese dessa investigação ser da responsabilidade de entidades como a Direcção-Geral do Ensino Superior ou a Inspecção-Geral do Ensino Superior, porque se tratam de entidades tuteladas pelo Estado. Relativamente às dúvidas que, em seu entender, continuam a persistir sobre o percurso académico do primeiro-ministro, Marques Mendes apontou três grandes questões, começando por falar das «dúvidas» que existiam sobre se José Sócrates tinha tido um «tratamento de favor» quando obteve a licenciatura em engenharia civil na Universidade Independente. «Instalou-se essa suspeita», sustentou, considerando que as explicações de José Sócrates, que na entrevista à RTP e RDP negou ter sido objecto de qualquer tratamento de favor, «não dissiparam dúvidas». «Há muitas perguntas por responder, muitos factos por clarificar», disse Marques Mendes, questionando sobre se estará ao alcance de qualquer estudante obter um regime de equivalências sem apresentar previamente o certificado de habilitações passado pelo estabelecimento de ensino onde estava matriculado. «Mas, para o primeiro-ministro é tudo normal, tudo não passa de uma campanha», ironizou. A utilização do título de engenheiro quando José Sócrates ainda não tinha concluído a licenciatura, nomeadamente quando tomou posse como secretário de Estado, foi das questões levantadas por Marques Mendes, que acusou o chefe do Governo de «utilizar um título que não tem». «Não estão em causa as habilitações. Para ser primeiro-ministro não é importante ser engenheiro», sublinhou, insistindo que José Sócrates se ter feito passar «por aquilo que não é» revela uma «falha de carácter, mina a credibilidade e a afecta a sua autoridade». As «pressões sobre a comunicação» foram igualmente apontadas por Marques Mendes como uma das questões onde restam dúvidas. «Não deu nenhuma explicação minimamente convincente», afirmou. Questionado sobre se José Sócrates deve ir ao Parlamento prestar mais esclarecimentos acerca do seu percurso académico, Marques Mendes escusou-se a responder, sublinhando, contudo, que o PSD não quer fazer desta polémica «uma questão partidária». Marques Mendes classificou ainda como «muito séria e delicada» a situação hoje noticiada da existência de dois registos biográficos do deputados socialista José Sócrates, de 1992 (referentes à VI Legislatura da Assembleia da República), com possuem informações diferentes relativamente às suas habilitações literárias. «Alguém tem de dar explicações. Ou o primeiro-ministro ou a Assembleia da República vão ter que explicar a sério o que se passou. Não acho sério haver dois ou três impressos diferentes», sublinhou. Notícias relacionadas:
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||




Não existem comentários a esta notícia.
