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O Bloco de Esquerda quis ouvir as explicações da ministra da Educação. Em causa está a intenção de acabar com os estágios remunerados dos candidatos a professores. Maria de Lurdes Rodrigues garante que a medida foi ponderada e não foi ditada pelo défice, mas o secretário de Estado-adjunto, José Pedreira, afirmou que pagar um ano de estágio a quem queria ser professor é um «gritante desperdício de dinheiro». «Estamos a pagar durante um ano a formação dos estagiários com um salário para que depois uma escassíssima minoria encontre eventualmente um contrato não se sabe por quanto tempo no sistema», adiantou. A ministra da Educação diz que o Estado vai poupar com esta medida 50 milhões de euros. «É um bocadinho esquizofrénico uma instituição empregadora estar a pagar estágios a profissionais que têm a certeza absoluta que não necessita deles», adiantou Maria de Lurdes Rodrigues. Enquanto a ministra fazia estas explicações no Parlamento, os estudantes manifestavam-se contra a medida. Maria de Lurdes Rodrigues reconhece que os alunos têm razões para estar insatisfeitos. «Muitos vieram enganados na expectativa de terem uma profissão num campo de actividade que não tem mais profissão, mas isso lamento. Não podemos é continuar a alimentar as expectativas dos jovens que vão ter um futuro imediato como professores quando sabemos todos que não vão ter», acrescentou. Oposição classifica atitude do Governo grave Toda a oposição classificou a atitude de Governo como grave. João Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda, diz que o PS está cada vez mais parecido com o PSD. «O secretário de Estado fala do desperdício e de gastar dinheiro a senhora ministra diz que é uma questão de poupar estes jovens ao desemprego. Estas afirmações revelam uma aproximação do PS e do seu Governo às lógicas economicistas da anterior maioria», adiantou o deputado bloquistas. O deputado do João Almeida, do CDS-PP, diz não entender o motivo do Governo encarar os estágios pedagógicos remunerados como um «desperdício». Também da bancada do PSD, Fernando Antunes, considerou extremamente graves as declarações da ministra da Educação e acredita que foi a questão do défice que levou à implementação desta medida. Por sua vez, Luísa Mesquita, do PCP, denunciou a dualidade de critérios quando se trata de professores e médicos, acusando o Governo de «hipocrisia política» ao referir as remunerações nos estágios dos clínicos. O fim dos estágios pedagógicos remunerados entra em vigor já no próximo ano lectivo. Notícias relacionadas:
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