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Em Janeiro choveu mais do que nos meses anteriores, mas ainda assim abaixo da média. E Fevereiro, que já vai a meio, não tem trazido boas notícias, apesar do extemporâneo tempo primaveril: até anteontem, a precipitação em todo o país era de apenas 17,8 milímetros, quando a média para o mês todo é de 112,2 milímetros. "Neste século, só em 1917 choveu tão pouco entre Setembro e Janeiro", afirma Rui Rodrigues, director do Departamento de Monitorização e Sistemas de Informação do Domínio Hídrico do Inag. Na última grande seca, em 2005, a situação foi mascarada por ter chovido muito em Outubro. Depois é que São Pedro fechou as torneiras. Agora, não. A situação arrasta-se já desde o fim do Verão. E se a precipitação falha no Outono e princípio de Inverno, que é quando mais chove em Portugal, torna-se difícil recuperar o atraso nos meses seguintes. Barragens ainda aguentam O país está em seca meteorológica, mas ainda não chegou à situação de seca hídrica. As principais barragens têm, neste momento, alguma folga para assegurar os principais usos ao longo deste ano, sobretudo a rega. "Estamos perfeitamente garantidos", afirma Rui Rodrigues. No final de Janeiro, das 56 albufeiras monitorizadas pelo Inag, 14 estavam cheias em mais de 80 por cento, 34 tinham entre 40 e 80 por cento de água e oito situavam-se abaixo dos 40 por cento. Os agricultores começam, no entanto, a ficar preocupados. Apesar de escassa, a chuva que tem caído garantiu algum pasto e o início da campanha de culturas de sequeiro, como o trigo e a cevada. "As culturas arvenses ainda se apresentam em bom estado vegetativo, mas é uma questão de dias", diz Manuel Castro e Brito, presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo. Se não chover em quantidade até ao fim do mês, o cenário vai piorar substancialmente, diz Castro e Brito. "A situação não é famosa. Estamos em estado de SOS", afirma. O que mais preocupa os agricultores do Alentejo, neste momento, é a questão das pastagens. Se forem prejudicadas pela seca, o efeito será multiplicado pela alta no preço das rações e palhas. "Vai haver falências nas explorações pecuárias", antecipa Castro e Brito. Notícias relacionadas:
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