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Judiciária levou droga mas não fechou a loja
 publicado em 2007-02-10 10:59:30

A Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro apreendeu, ontem à tarde, na "Cogumelo Mágico, loja de drogas legais", no Centro Comercial Oita, em Aveiro, algumas plantas alucinogénias suspeitas de serem ilegais.
Judiciária levou droga mas não fechou a loja
Os elementos da PJ, tal como o JN adiantou ontem, estiveram no interior da loja cerca de duas horas e meia e recolheram ainda livros e vídeos informativos sobre as plantas apreendidas. Entre outras, foram apreendidas cactos Peiote, que contém mescalina, uma substância alucinogénia, tal como o chá de erva ayahuasca. As plantas recolhidas vão ser enviadas para análise no laboratório da PJ.

O proprietário da loja, Carlos Marabuto, não se mostrou surpreendido com a visita policial, que obrigou, durante a busca, ao fecho das portas do estabelecimento. "Esperava que viessem, mas não gostei da forma como alguns se comportaram", disse. "Somos profissionais e interpretamos profundamente a lei, por isso não vendemos, por exemplo, mescalina, mas plantas naturais que têm mescalina, o que não é proibido", sublinhou Marabuto. "Não me sinto perseguido, mas recuei 50 anos", desabafou.

A abertura, anteontem, daquela "smart-shop" está a criar "algum incómodo por parte dos lojistas" do "Oita", segundo o administrador Carlos Costa. O "Oita" registou ontem um movimento anormal de jovens no piso onde está a loja, muitos deles menores.

A contestação estendeu-se à população, ao responsável da escola mais próxima (ver caixas) e ao director do Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) de Aveiro, Rocha Almeida. Este não compreende como é possível licenciar uma loja que vende drogas leves. O médico desconfia dos alegados "produtos naturais" que estão à disposição na "Cogumelo Mágico" e, por aquilo que já leu, não receia afirmar que as ervas que estão ao dispor dos maiores de 18 anos são nocivas para a saúde.

"Não sei se é legal a venda de produtos alucinogénios. E também desconfio dos comprimidos naturais, pois dificilmente não são alvo de um processo químico, uma situação normalmente perigosa, especialmente se o laboratório que o fizer não estiver certificado", refere Rocha Almeida.

O comentário do responsável pelo CAT é feito de dúvidas e certezas. "Há uma série de produtos que estão à venda nessa loja que provocando alucinações têm graves consequências para a saúde. Podem não provocar habituação física, mas criam uma habituação psicológica", explica o médico. "Alterações de personalidade, falta de motivação, perda de memória e de concentração são algumas das consequências destas drogas", acrescenta.

O responsável revela que ao CAT começam a chegar vítimas destas novas drogas. "São situações pontuais, mas receio que com esta nova oferta o número de casos possa vir a aumentar", prevê Rocha Almeida.




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