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Julgamento tem «contornos políticos», diz advogado
 publicado em 2008-04-08 11:07:39

José Manuel Castro, advogado que defende o líder da Frente Nacional, Mário Machado, considera que o julgamento de 36 "skinheads" que começa esta terça-feira tem «contornos políticos». José Falcão, da SOS Racismo, diz que os arguidos já há muito estariam presos se fossem acusados de tudo o que fizeram.
Julgamento tem «contornos políticos», diz advogado

O advogado que defende o líder da Frente Nacional, que junto com outros 35 "skinheads", começa, esta terça-feira, a ser julgado, no Tribunal de Monsanto, entende que este é processo com «contornos políticos».

Ouvido pela TSF, o defensor de Mário Machado, que também lidera o movimento Hammerskins em Portugal, ligado à extrema-direita, entende por isso que este processo «colide com os Direitos, Liberdades e Garantias dos cidadão e oxalá não se repita».

José Manuel Castro adiantou que este processo lhe causa preocupação, mas não quis acusar ninguém em particular, uma vez que, na sua opinião, este julgamento surge na sequência de uma «conjuntura mais ou menos desfavorável ao sarceamento das liberdades».

Para este causídico, os acusados estão a ser julgados pelo que são e não pelo que fizeram, uma situação que José Manuel Castro considera ser preocupante.

«O crime que é denominador comum a todos os arguidos é o de discriminação racial, só que de facto não existe qualquer acto concreto ou agressão racial que lhe possam ser imputados», explicou.

Para José Manuel Castro, «existem sim algumas frases escritas num fórum na Internet até algumas rixas de rua, mas actos racistas, ódio racista, concretização daquilo que se diz na acusação, não existe».

Por seu lado, José Falcão, da organização SOS Racismo, considera que se os "skinheads" que vão ser julgados fossem acusados de tudo o que já fizeram já há muito que estariam presos.

«Têm feito agressões sistemáticas em vários sítios, a várias pessoas que têm medo de falar e contar. Eles não estão a ser julgados por aquilo que dizem, infelizmente não vão ser julgados por aquilo que têm feito até agora», acrescentou.

Os 36 arguidos deste caso são acusados de discriminação racial, posse ilegal de armas e ofensas à integridade física.

Quando deteve estes acusados, a Polícia Judiciária anunciou a apreensão de várias armas de fogo e armas brancas, bem como soqueiras, mocas, bastões e tacos de basebol, para além de milhares de munições de vários calibres.






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