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Há cada vez mais médicos a deixarem de fumar, ao passo que nas médicas a tendência é a contrária. A conclusão é de um estudo feito no âmbito de um mestrado da Faculdade de Motricidade Humana que diz mesmo que o número de médicas fumadoras é, em proporção, o dobro das restantes mulheres. Para o autor deste estudo, a única explicação para este facto tem a ver com a maior dificuldade de as mulheres largarem o tabaco do que os homens. «Um estudo francês aponta no mesmo sentido. Nos anos 70, o índice do tabagismo nos homens era de 60 por cento, mas entretanto desceu drasticamente. A nível nacional, não houve uma tradução neste sentido, porque subiu coincidiu com uma subida brusca dos níveis de consumo por parte das mulheres», acrescentou Miguel Natal. O estudo, que incidiu sobre clínicos do Serviço Nacional de Saúde, indicou ainda que a maior parte dos médicos iniciou o consumo de tabaco quando frequentava o ensino secundário, ao passo que apenas 20 por cento destes o começou apenas durante o ensino superior. De acordo com os resultados preliminares do estudo, dos 810 médicos inquiridos, 54,29 por cento não fumam, 28,55 já fumaram, ao passo que 17,6 fumam regularmente. Ainda segundo este estudo, 1,5 por cento dos médicos admitem fumar durante uma consulta, ao passo que entre os ex-fumadores oito por cento admitiram ter tido esta prática. «Hospital sem Tabaco» No dia em que se comemora o Dia Mundial Sem Tabaco, são já nove os hospitais nacionais que aderiram ao programa «Hospital Sem Tabaco», que vai tentar tirar o fumo dos hospitais. «Os médicos fumam, mas não são o grupo que mais fuma. Quem fuma mais no hospital são os administrativos e os enfermeiros. Também pertencem a um grupo etário mais novo do que os médicos», notou a responsável pelo programa. A pneumologista Cecília Pardal acrescentou ainda que muitos médicos usam o tabaco como uma forma de tirar a ansiedade, ideia que não passa de um erro. «Quando a pessoa tem abstinência realmente fica com menos ansiedade, mas a seguir vai activar uma série de metabolismos que vai provocar um aumento da frequência cardíaca e alterações nos vasos», recordou. Cecília Pardal explicou ainda que a proibição de fumar não é total, porém, apenas em locais muito restritos é que será autorizado acender um cigarro, pois é necessário «proteger o utente para além de haver uma lei que proíbe o fumo nos hospitais». No Hospital Amadora-Sintra, um dos nove hospitais que aderiu ao projecto, vão ser medidas as capacidades respiratórias de várias individualidades ligadas ao desporto, com o objectivo de prevenir o cancro do pulmão. Neste Dia Mundial Sem Tabaco, destaque ainda para uma campanha europeia de promoção do abandono do tabagismo que vai passar nas televisões dos 25 estados da União Europeia. Na UE, 650 mil pessoas (uma em cada sete) morre todos os anos devido a uma doença relacionada com o tabaco, que representa a segunda causa de morte no mundo, ceifando cinco milhões de vidas anualmente. Notícias relacionadas:
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