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Na função pública, os aumentos salariais em 2006 não ultrapassaram 1,5 por cento; no sector privado, os dados conhecidos sobre a contratação colectiva, que englobam pouco mais de 1,3 milhões de trabalhadores, mostram que os aumentos médios implícitos nos contratos que entraram em vigor até Setembro tinham subjacente um aumento salarial médio de 2,8 por cento. Como os dados do INE relativos ao inquérito ao emprego mostram que no terceiro trimestre do ano passado havia pouco mais de 3,9 milhões de trabalhadores por conta de outrem, conclui-se que cerca de metade destes deverá ter perdido poder de compra. Esta situação deverá manter-se em 2007, pelo menos para a função pública, já que o aumento salarial estipulado unilateralmente pelo Governo volta a não ir além dos 1,5 por cento. Este aumento não permitiria qualquer ganho de poder de compra mesmo que a taxa de inflação prevista pelo Governo para 2007 se viesse a concretizar. Na sua proposta de Orçamento do Estado para o corrente ano, o Governo prevê que os preços, em média, não subam mais do que 2,1 por cento. No entanto, no mesmo documento, o Governo previa que a evolução média dos preços em 2006 não deveria ultrapassar os 2,5 por cento. E na proposta de Orçamento para 2006, a previsão do Governo ficava-se por uma subida dos preços de 2,3 por cento. Transportes e combustíveis fazem disparar preços A subida da inflação em 2006 fica marcada pelo disparar do preço dos transportes. Os dados do INE mostram que esta classe, sozinha, explica mais de um terço da subida média de 3,1 por cento verificada no conjunto do ano. A subida da classe de transportes não será estranha ao facto de no ano passado ter havido dois aumentos do preço dos passes sociais. O primeiro, a 1 de Janeiro, de 2,3 por cento; e o segundo, em Julho, com uma subida intercalar de 2,65 por cento. A subida dos passes sociais foi justificada na altura pelo Governo com a subida do preço dos combustíveis nos mercados internacionais, subida essa que também se fez sentir em Portugal. Assim, juntamente com os transportes, a classe de preços dos produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas e a classe de preços referente à habitação, água, gás e outros combustíveis explicam, em conjunto, quase outro terço da subida registada. "Em 2006, à semelhança do que se verificou no ano anterior, a classe que mais contribuiu para a formação da taxa de inflação (...) foi a dos transportes", sublinha o Instituto. Do lado contrário a esta subida de preços esteve a classe das telecomunicações, a única a registar uma diminuição de preços. Tudo somado, os preços em Portugal atingiram uma subida média de 3,1 por cento, o valor mais alto desde o ano de 2003. Notícias relacionadas:
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