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O especialista, também director do serviço de Endocrinologia do Hospital de S. João, no Porto, afirmou que os dados do trabalho liderado pela investigadora Isabel do Carmo revelam aquilo que "se anda a pregar há muito tempo: a obesidade continua a aumentar". Conforme adiantou, o estudo (no qual participou como co-autor) desenvolveu-se entre 2003 e 2005 e envolveu 8116 pessoas, dos 18 aos 64 anos. Nesta amostra, a investigação encontrou 2,4 por cento de pessoas com peso a menos (pessoas magras com risco de contrair doenças como a anorexia nervosa), 39,4 por cento com sobrecarga de peso - com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 - e 14,2 por cento com obesidade (IMC igual ou superior a 30). A obesidade - resultante da acumulação excessiva de tecido gordo no corpo - é um dos principais factores de risco para o desenvolvimento de doenças que afectam milhões de pessoas, nomeadamente a hipertensão, diabetes, doença coronária ou acidente vascular cerebral. "A obesidade é um problema de saúde pública", frisou José Luís Medina, explicando que se trata de uma doença de "altíssima prevalência" e com possibilidades de cura "muito reduzidas". Gordura intra-abdominal é a mais perigosa De acordo com o especialista, um dos aspectos importantes do estudo é o facto de ter sido dada atenção à distribuição da gordura corporal, já que em termos de risco cardio-vascular é importante avaliar a existência de gordura intra-abdominal. Pela classificação da Federação Internacional de Diabetes, com o perímetro da cintura superior ou igual a 94 centímetros para os homens e 80 para as mulheres, associado a dois dos seguintes factores: diabetes, hipertensão arterial, triglicerídeos elevados e hdl (colesterol bom) baixo, existe alto risco para doença cardiovascular. "Este estudo encontrou 45,6 por cento das pessoas com um aumento do perímetro da cintura o que é de facto surpreendente", adiantou. "Isto não pára. São precisas medidas de saúde pública muito agressivas em termos de persistência e muito trabalho, para esclarecer as pessoas, as famílias, as escolas e as empresas", sublinhou José Luís Medina, que sente que a população está pouco esclarecida sobre a alimentação. "Tem que se mudar as mentalidades e a própria cultura, acabar com a ingestão de gorduras, de álcool, com o assado de domingo, os rissóis e o pão com manteiga à entrada das refeições. Tem que se mudar", avisou. Para o especialista, é sobretudo importante que as escolas e as cantinas ensinem e dêem comida saudável às crianças. "Não podem ter doçaria. Não quer dizer que as crianças não possam comer, o que não podem é fazê-lo com a frequência que o fazem", reiterou. "Começamos a ter crianças com diabetes de tipo 2, tradicionalmente uma diabetes do adulto, precisamente pela relação entre a diabetes e a obesidade", exemplificou. Conjugar o incentivo à actividade física com a adopção de uma alimentação equilibrada e pobre em calorias é um ponto essencial, assim como "desincentivar o uso excessivo do carro, comer melhor, fazer mais exercício e andar a pé. O elevador é para subir não é para descer", aconselhou o especialista, referindo que as crianças poderão ser veículos importantes nesta matéria de educação alimentar. Notícias relacionadas:
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