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Orangotango poderá desaparecer em 10 anos
publicado em 2007-04-15 10:18:38
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Uma agência de protecção da natureza lançou o alerta: a manter-se o ritmo de desaparecimento dos orangotangos no seu último habitat natural, a espécie vai extinguir-se numa década.
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O panorama não é nada animador. Segundo especialistas, se nada for feito para travar o ritmo de desaparecimento do orangotango, a espécie poderá extinguir-se em apenas uma década. Perante o decréscimo de exemplares que se tem verificado nos últimos anos, a população, cujo último reduto se situa nas ilhas indonésias do Bornéu e Sumatra, enfrenta sérios riscos de extinção.
Os últimos dados oficiais apontam para a existência de cerca de 5000 animais na Sumatra e 15 a 20 mil no Bornéu, números muito abaixo dos avançados no final dos anos 90 - cerca de 60 mil. Os especialistas consideram os dados alarmantes, colocando em causa a diversidade genética da espécie. O decréscimo na população constitui um grande motivo de preocupação para os conservacionistas, ao favorecer a endogamia entre os animais, confinados que estão a alguns grupos reduzidos. Ficarão, desta forma, mais susceptíveis a doenças.
«Nos próximos cinco ou dez anos os orangotangos vão morrer geneticamente», alertou Karmele Llano, uma veterinária da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), que luta pela conservação desta espécie na Indonésia. Neste momento, a maior ameaça para os orangotangos é a desflorestação, motivada sobretudo pela exploração do óleo de palma usado na produção de biocombustíveis, cuja procura não pára de aumentar no Terceiro Mundo. São centenas de hectares de mata que ardem todos os anos, o que, segundo Llano, está a ter um efeito devastador nas populações de orangotangos.

| A extração de madeira, muitas vezes ilegal, é outra ameaça séria, agravada pelo tsunami de 2004, que obrigou à exploração deste recurso na reconstrução de casas. Os salários baixos também não ajudam à causa, favorecendo a corrupção entre madeireiros. Perante este cenário, a criação de condições para a preservação da espécie tornou-se uma questão imperativa. Neste sentido, a AECI iniciou um programa de protecção dos primatas que visa travar a desflorestação e conservar o seu habitat natural.
O projecto, financiado pelo Ministério do Ambiente espanhol, está em marcha há sensivelmente um ano e incide numa das maiores florestas tropicais do mundo, o Parque Nacional de Gunung Leuser (Sumatra), onde vivem outras espécies ameaçadas, como o tigre, o rinoceronte de Sumatra e o elefante asiático. O programa inclui a formação de pessoal, a melhoria das infraestruturas, a recolha de informação e avaliação das ameaças existentes.
Segundo o coordenador do projecto, Ugo Blanco, este está a ter efeitos bastante positivos, incluindo a eliminação de unidades de serração ilegais, contudo não chega para travar a evolução muito negativa na população animal. O desejo dos responsáveis é alargar a área de intervenção a outros locais do planeta. Refira-se que a Indonésia possui 10 por cento das florestas tropicais que restam no planeta, sendo que apenas um quarto são áreas protegidas. 72 por cento da sua floresta original terá entretanto desaparecido.
Mais informação: AECI Orangotango (Wikipédia) Orangotango (inglês)
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