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Ontem, depois de ter transitado em julgado o acórdão do Tribunal da Relação que o afastou definitivamente de uma ida a julgamento por 23 crimes de abusos sexuais de menores, Pedroso publicou, no seu blogue, um documento intitulado "Pelo direito ao bom nome, pela verdade e por Justiça", no qual afirma que vai continuar a demonstrar a sua inocência. "A violência da perseguição que sofri é tal que seria cobardia quedar-me pelo afastamento da ameaça de um julgamento por crimes que não cometi" diz , adiantando que vai "pedir responsabilidades por todo o sofrimento" por que passou e "a reparação pelos danos severos e persistentes" que lhe foram causados. No mesmo texto, anuncia que voltará a ocupar o lugar de deputado logo que seja possível e que confiou ao seu advogado, Celso Cruzeiro, essa missão de apurar responsabilidades. Pedroso tem já a correr uma acção cível contra o Estado, por prisão ilegal, na qual reclama uma indemnização de 800 mil euros, e vários processos contra os rapazes que o acusam de abusos sexuais. Celso Cruzeiro disse, ao JN, que está agora a recolher elementos e a ponderar, "sem precipitações", uma acção criminal contra a falta de "isenção" da investigação. "Não excluímos ninguém, mas não estamos já a dizer que é contra A ou contra B", afirmou. O advogado defende que a investigação "demonstra que havia uma intenção no sentido de levar à incriminação" de Pedroso e que só assim se explica que "elementos ponderosos, alguns bem visíveis nos autos relativamente à sua inocência", não tenham sido levados em conta. Celso Cruzeiro pensa poder estar perante uma violação funcional do dever de imparcialidade dos órgãos de Estado, mas não avançou mais pormenores sobre o tipo de processo que poderá accionar. O advogado socorre-se do próprio acórdão do tribunal da Relação, do dia 9, segundo o qual o MP nunca deveria ter acusado Pedroso. Os desenbargadores consideraram que a leitura do processo não lhes permitiu dissipar dúvidas nem quanto à veracidade das imputações feitas pelos rapazes ao ex-deputado, nem quanto à pretendida inocência deste. O advogado que defende as alegadas vítimas lembrou, por sua vez, que Pedroso não foi absolvido pela Relação, apenas não foi pronunciado. Miguel Matias garantiu que uma eventual acção de Pedroso contra a investigação não vai impedir que os jovens que o acusam o continuem a fazer, "sempre que for caso disso". Souto Moura admite erros e fala em condicionalismos "Não foi a investigação ideal, mas foi a possível com os condicionalismos que havia na altura. Acho que se fez uma obra notável porque se lutou contra resistências que vinham de todos os lados. Foi extremamente árduo". Assim o disse, ontem à Lusa, Souto Moura a propósito do processo da Casa Pia. O PGR admitiu que cometeu alguns erros, mas considera que os mesmos não alteraram o resultado final. E elogiou a equipa de procuradores que conduziu a investigação. Quanto a erros, disse "Há um ou outro episódio que me arrependo, não que o resultado pudesse ter sido diferente, mas poderiam ter sido evitados incómodos". E deu como exemplo o álbum de fotografias de várias figuras públicas, a maioria das quais sem ligação ao processo, que foram mostradas às alegadas vítimas para que estas identificassem os agressores. O álbum, publicado na imprensa, tinha fotografias, por exemplo, do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e do presidente da Assembleia da República, Mota Amaral. "Se eu soubesse também tinha colocado lá a minha fotografia, mas neste episódio, mais uma vez, se confundiu o acessório com o essencial", disse . O PGR firsou, ainda, que "a partir do momento em que se começaram a detectar suspeitas em pessoas com poder, ninguém mais quis saber das crianças, nunca mais se falou do escândalo da Casa Pia, a preocupação foi dizer que a investigação foi disparatada". Notícias relacionadas:
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