|
|
Perícia a Carlos Cruz não iliba nem acusa arguido
publicado em 2006-03-17 09:32:29
|
|
Uma perícia à personalidade do arguido do processo da Casa Pia, Carlos Cruz, concluiu não existirem indicadores que relacionem a personalidade do apresentador de televisão com o abuso sexual de menores mas também não o iliba.
|
|
A pedido do Tribunal, o arguido mais mediático do processo Casa Pia foi sujeito a uma avaliação clínica psiquiátrica e a uma perícia sobre a personalidade, elaboradas pelo Serviço de Psiquiatria Forense do Hospital Miguel Bombarda.
Segundo as conclusões da perícia sobre a personalidade, a que a Agência Lusa teve hoje acesso, «não se encontraram indicadores que probabílisticamente correlacionem a personalidade do examinado com a prática dos factos que lhe são imputados».
Esta perícias, realizadas entre 18 de Maio e 09 de Agosto de 2005, só foram entregues ao tribunal na semana passada e distribuídas hoje aos advogados de defesa, após dois pedidos de esclarecimento do tribunal ao Hospital Miguel Bombarda sobre o atraso na sua entrega.
Iguais exames foram feitos ao arguido Manuel Abrantes e entregues em «finais de Outubro, princípios de Novembro» de 2005, de acordo com o seu advogado.
Os resultados da avaliação clínica psiquiátrica a Carlos Cruz, com base em cinco entrevistas feitas entre Maio e Agosto de 2005, também concluíram que «não existe actualmente qualquer tipo de psicopatologia ou perturbação da personalidade» de Carlos Cruz.
Ainda assim, depois de descrever toda a história de vida do antigo apresentador de televisão, o relatório conclui que não se pode afirmar que o funcionamento mental de Carlos Cruz seja considerado incompatível com os actos sexuais com menores, da mesma forma que não pode determinar, «ainda que aproximadamente, o grau de probabilidade da existência de congruência entre a avaliação efectuada e tais práticas».
Diz o documento que não é possível estabelecer qualquer diagnóstico psiquiátrico actual de Carlos Cruz, incluindo perturbação da personalidade, como não é possível definir com precisão que a estrutura de funcionamento mental de Carlos Cruz seja a de um pedófilo.
Considerando apenas as práticas de pedofilia que resultam de psicopatologia, há poucas probabilidades de Carlos Cruz ser culpado, admite o relatório, que adianta, contudo, que «a maioria das vezes estas práticas não estão relacionadas com psicopatologia».
Quanto à perícia sobre a personalidade, constituída por entrevista clínica e testes, não evidenciou perturbações de personalidade, ainda que Carlos Cruz apresente «um conjunto de fragilidades», que podem ser entendidas como reacção à situação que o arguido vive há três anos (acusado de abuso sexual de menores).
Também neste caso, se por um lado a perícia diz que não há indicadores que relacionem a personalidade de Carlos Cruz com a pedofilia, também afirma que «existem limites no acesso à verdade individual».
A perícia aponta duas situações que, diz, merecem reflexão: o auto retrato da história de Carlos Cruz «é tão perfeito e ideal, que pode parecer suspeito», e há uma «preocupação vincada em transmitir boa imagem de si próprio».
«Sendo que as suas características de personalidade não são aparentemente compatíveis com perfil de abusador continuado (em razão patológica) em rigor não é possível afirmar relativamente à congruência da sua personalidade com práticas ocasionais de abuso», conclui o relatório.
O relatório tem pelo menos um erro, já que na história familiar refere que a mãe do apresentador de televisão morreu, de doença cancerosa, quando este tinha 18 anos e Carlos Cruz, no seu depoimento em Tribunal, afirmou que a mãe tinha morrido em Janeiro de 2000, aos 100 anos.
Carlos Cruz já reagiu a estas conclusões e afirmou estar «satisfeito com o resultado» da sua avaliação clínica psiquiátrica feita pelo Hospital Miguel Bombarda, que não relaciona a sua personalidade com o abuso sexual de menores.
Notícias relacionadas:
Não existem comentários a esta notícia.
|
|
|
|