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Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva
publicado em 2007-06-21 22:29:12
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O presidente do FC Porto foi acusado de corrupção desportiva no âmbito das investigações do processo Apito Dourado ao jogo Beira-Mar/Porto na época 2003/2004, com base num depoimento que o advogado de Pinto da Costa considerou «falso».
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A acusação foi conhecida através de um comunicado enviado à agência Lusa pelo representante de Pinto da Costa, a sociedade de advogados Gil Moreira dos Santos, Caldeira, Cernadas & Associados.
No comunicado, a sociedade de advogados salienta que a acusação foi proferida «em sede de um inquérito que, tal como outros, tinha já sido arquivado por decisão de um magistrado do Ministério Público».
Em causa está o jogo Beira Mar/FC Porto, disputado a 18 de Abril de 2004, com arbitragem de Augusto Duarte, que se terá deslocado a casa do presidente do FC Porto dois dias antes deste encontro, que terminou com um empate.
O árbitro de Braga terá sido acompanhado pelo empresário António Araújo, e Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa, terá testemunhado este encontro.
O procurador do Ministério Público de Gaia tinha argumentado falta de provas para arquivar este caso, agora reaberto pela equipa de Maria José Morgado.
«O quadro de facto que se traçou consente perfeitamente que tal [a existência de contrapartidas] tivesse acontecido, enquanto conduta verosímil, mas não permite afirmar a sua ocorrência, em termos que permitam concluir pela possibilidade razoável de aos arguidos, por força dos indícios recolhidos, vir a ser aplicada em julgamento uma pena ou uma medida de segurança», concluiu o magistrado, no despacho de arquivamento.
A visita do árbitro e do empresário à casa de Pinto da Costa terá sido vigiada pela Polícia Judiciária e acompanhada pelas escutas aos telemóveis de Pinto da Costa e António Araújo, que terão justificado o encontro como «para tomar café».
«A acusação em causa assenta nos mesmos factos que levaram ao anterior Arquivamento», refere o advogado de Pinto da Costa no comunicado de hoje, admitindo que a situação pode ter sido alterada por «declarações que foram prestadas por uma testemunha, autora de recente best-seller», numa alusão a Carolina Salgado.
O advogado do presidente do FC Porto questiona a credibilidade do depoimento desta testemunha e critica a «leviandade» com que Pinto da Costa é acusado, frisando que a única novidade no processo «é um depoimento falso e motivado por razões de "revanche" e outras, quiçá mais obscuras».
Para o advogado, «seria de esperar que o Ministério Público, como era sua obrigação, distinguisse o trigo do joio».
Neste quadro, revela que decidiu requerer a abertura de instrução «por forma a demonstrar o infundado do testemunho, a grave lesão que uma acusação ligeira causa ao bom nome (de Pinto da Costa e do FC Porto) e o desperdício de meios humanos e financeiros da máquina judicial que o, mais que previsível, malogro da acusação irá acarretar».
Em 12 de Junho, Pinto da Costa já tinha sido acusado de corrupção desportiva no âmbito das investigações do processo Apito Dourado a um outro jogo, o Porto/Estrela da Amadora disputado em 2004, conhecido como «caso da fruta».
Neste caso, além de Pinto da Costa, a equipa liderada pela procuradora Maria José Morgado acusou também o empresário de futebol António Araújo e os árbitros Jacinto Paixão, José Chilrito e Manuel Quadrado.
O caso envolve, ainda, o vice-presidente da colectividade, Reinaldo Teles, e um outro árbitro, Luís Lameiras, que terá assumido que foi ele quem sugeriu que se arranjasse companhia de prostitutas - a «fruta» - para os três colegas.
Numa entrevista publicada segunda-feira pelo jornal Público, o presidente do FC Porto negou que alguma vez tivesse pago ou mandado pagar a árbitros para que o seu clube fosse beneficiado nos resultados desportivos.
Por outro lado, Pinto da Costa desvalorizou as acusações feitas pela sua antiga companheira, considerando que «tanta invenção e falsidade só serão compreendidas quando todos souberem com quem Carolina Salgado se reuniu antes do livro, depois de ele ser escrito, quem acrescentou coisas e cortou outras».
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