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Pinto de Sousa quis «agradar» a Valentim, diz acusação
publicado em 2006-02-09 11:02:53
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Pinto de Sousa terá querido agradar a Valentim Loureiro e por essa motivo o Gondomar terá tido «árbitros de confiança» para os seus jogos, diz a acusação do processo «Apito Dourado». Na quarta-feira, foram conformados os 27 arguidos do caso já avançados pela imprensa.
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A acusação do processo «Apito Dourado» sustenta que o Gondomar teve «árbitros de confiança», pois o antigo presidente do Conselho de Arbitragem Pinto de Sousa «queria agradar» a Valentim Loureiro.
De acordo com a agência Lusa, que teve acesso ao processo, o vice-presidente da câmara de Gondomar José Luís Oliveira, que secundava a intenção de Valentim Loureiro de levar o clube da cidade à Liga de Honra, entendia que a equipa era prejudicada pelas arbitragens, algo que transmitiu ao também presidente da Liga de Clubes.
Segundo a acusação, Valentim Loureiro terá respondido que iria falar com Pinto de Sousa para que este «nomeasse árbitros de confiança», algo que terá acontecido antes de Abril de 2001, a pedido de José Luís Oliveira.
Pinto de Sousa terá atendido a esses pedidos para «agradar» a Valentim Loureiro, já que José Luís Oliveira era vice-presidente da autarquia liderada pelo ex-presidente do Boavista.
A intenção de Pinto de Sousa seria a de contar como contrapartida os votos de Valentim Loureiro «para a manutenção da sua posição como presidente do Conselho de Arbitragem».
A acusação detalha ainda eventos relativos à vitória do Gondomar sobre o Vizela por 0-3, numa partida realizada a 31 de Agosto de 2003, apitado por Licínio Santos.
O vereador Castro Neves, na altura director do Departamento de Futebol do Gondomar, «tinha na sua posse objectos em ouro para oferecer» a este árbitro, indicado por Pinto de Sousa e pedido por José Luís Oliveira.
A argola de mola em ouro que estaria para ser entregue a Licínio Santos foi-lhe entregue «mais tarde», porque ali «dava muito nas vistas», diz a acusação.
Há ainda referência a várias conversas telefónicas relativas a este jogo entre José Luís Oliveira e Castro Neves, bem como uma outra entre José Luís Oliveira e Licínio Santos.
Os 27 arguidos do processo «Apito Dourado» ficaram a conhecer, apenas na quarta-feira, o despacho da acusação deste caso, cinco dias depois da sua publicação na comunicação social.
O texto conformou os 27 arguidos já avançados, com destaque para o presidente da Câmara de Gondomar Valentim Loureiro e o seu vice-presidente José Luís Oliveira.
O também presidente da Liga de Clubes é acusado de 26 crimes de corrupção activa, sob a forma de cumplicidade, e dois crimes de prevaricação, ao passo que José Luís Oliveira é acusado de 26 crimes dolosos de corrupção activa e 21 crimes de corrupção activa desportiva.
Por seu turno, o vereador Joaquim Castro Neves é acusado de 19 crimes dolosos de corrupção desportiva activa, enquanto que o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF Pinto de Sousa é acusado de 26 crimes dolosos de corrupção passiva para acto ilícito.
O Ministério Público decidiu também acusar os ex-vogais do Conselho de Arbitragem Francisco Tavares e Luís Nunes da Silva e o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol do Porto Carlos Manuel Carvalho.
Entre os árbitros acusados estão Sérgio Manuel Pereira, Pedro Sanhudo, Aníbal Gonçalves (todos do Porto), Manuel Fernando Valente Pinto Mendes e António Eustáquio, de Lisboa, Licínio da Silva Santos e Jorge Saramago, de Leiria, José Manuel Rodrigues (Braga) e Sérgio Sedas (Leiria).
Há ainda entre os acusados três árbitros assistentes da equipa de Pedro Sanhudo (Hugo Teixeira da Silva, João Pedro da Silva Macedo e Ricardo Fonseca Pinto), bem como os observadores Manuel Barbosa da Cunha e João Soares Mesquita.
O Ministério Público deduziu ainda acusação contra os arguidos Américo Sousa Neves, Agostinho Duarte da Silva, António Ferreira e José António Horta Ferreira.
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