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Desde sexta-feira que a Polícia Judiciária procura reconstituir todos os passos do presumível raptor no Algarve, tendo ontem alargado as buscas a um raio de 15 quilómetros (envolvendo 60 polícias e 30 populares), abrangendo as povoações perto de Sagres: Bensafrim, Espinhaço de Cão, Budens e Espiche, até à Barragem da Bravura. Porém, as equipas da GNR, com cães de busca e salvamento, já acusam algum cansaço. Cada vez mais os investigadores da PJ do Algarve, que receberam reforços da Direcção Central de Combate ao Banditismo, se inclinam para a pista que conduz a uma possível rede de adopção de crianças. O suspeito, de acordo com uma fonte ligada à investigação, esteve, na semana anterior ao rapto, na zona de Sagres, onde fotografou crianças, e terá mesmo forçado à entrada de uma delas na sua viatura. A PJ mantém a versão de que há "indícios seguros" que se tratou de um rapto, mas não existe pedido de resgate. Por conseguinte, começa a ganhar consistência, numa das linhas de investigação, a hipótese de a miúda ter sido levada para adopção. Ontem, no final da tarde, o inspector-chefe da PJ, Olegário Sousa, em conferência de imprensa, salientou que "tem havido uma permanente colaboração" com as polícias estrangeiras, Interpol e Europol, mas escusou-se a prestar esclarecimentos sobre as diligências em curso, alegando "impedimento legal" e a "necessidade de proteger a vítima e o desenrolar das investigações". Recusou, perante a insistência dos muitos jornalistas nacionais e britânicos, a possível divulgação do retrato-robot. Tal não será feito para já, a menos que venha a "revelar-se importante para a investigação". Quanto à nacionalidade do possível raptor, negou-se a confirmar se será inglês, ou não. Os pais da criança vão manter-se afastados do processo, mas o inspector salientou que não houve qualquer pedido de resgate. Disse ter informações de "relevante interesse" para as investigações, sem adiantar quais. "Por favor, não a assustem" Madeleine fazia quatro anos no próximo sábado. "Por favor, não lhe façam mal", voltaram ontem a pedir os pais "à pessoa com quem está ou esteve" a criança. O casal, embora visivelmente desgastado, continua com a esperança de um final feliz. Numa curta declaração televisiva, entregue por escrito aos outros meios de comunicação social, Kate McCann apelou: "Por favor, devolvam-nos a nossa menina", suplicando: "Por favor, não a assustem". "Façam-nos saber como poderemos encontrar Madeleine ou ponham-na num local de onde a possamos trazer para casa." O caso começou na noite de quinta-feira passada, com o casal McCann, que deixou a dormir os três filhos - Madeleine, e dois irmãos gémeos, de dois anos - enquanto foi jantar a um restaurante dentro do complexo hoteleiro, a cerca de 50 metros de distância do apartamento. No regresso, foram surpreendidos com o desaparecimento da filha, enquanto os outros dois filhos continuavam a dormir. Não houve arrombamento, a persiana encontrava-se semiaberta e a janela aberta. O director do Refúgio Aboim Ascensão, Luís Villas-Boas, deslocou-se ontem ao aparthotel Ocean Club, para dar a sua versão sobre o assunto: "Não conheço, em 20 anos de trabalho com crianças, um rapto de crianças em Portugal, feito por portugueses". O psicólogo falava à imprensa, portuguesa e inglesa, na qualidade de membro honorário, desde 1992, da Nacional Society for Prevention of Cruelty to Childrens. De resto, foi nessa condição que manifestou, também, a opinião de que Portugal é "um país seguro", e "trata bem das crianças", relembrando um outro caso de rapto envolvendo uma criança estrangeira, em 1990. Luís Villas-Boas não se coibiu, no entanto, de referir que houve alguma negligência por parte dos pais de Madeleine. Notícias relacionadas:
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