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Mas não é o que dizem outros documentos, entre eles o estudo de impacte ambiental apresentado pela própria Lusoponte em 1994. E o tráfego na Ponte 25 de Abril é hoje cerca de 15 por cento maior do que em 1998. A Lusoponte atira responsabilidades ao Governo, argumentando, por exemplo, que o preço das portagens nas duas pontes devia ser o mesmo, mas foi o executivo que quis manter o da 25 de Abril mais baixo. Também as ligações essenciais para as duas pontes, que eram responsabilidade da administração central, se atrasaram ou ainda estão por construir. Onde a Ponte Vasco da Gama mais cumpriu a sua função foi no desvio do trânsito pesado do interior de Lisboa. Hoje, a nova ponte tem 20 por cento mais trânsito pesado do que a antiga. São quatro milhões de camiões que deixaram de entrar na cidade, por ano, segundo a Lusoponte. Resultado à vista Ambientalistas vêem na expansão urbana na Margem Sul do Tejo a confirmação dos seus maiores receios. "O resultado está à vista, basta ir ao Montijo, Alcochete, Benavente ou Palmela", afirma João Joanaz de Melo, um dos rostos da guerra contra a ponte nos anos 1990. "Houve um aumento da área urbana dispersa, não consolidada", completa. A mesma opinião tem o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Fonseca Ferreira. "Qualitativamente, os padrões de desordenamento não fugiram ao que se temia. O crescimento é muito disperso, a não ser em Alcochete", diz. O acompanhamento pormenorizado da urbanização induzida pela ponte era outra promessa que se fez na altura. E começou bem, com a criação do Observatório da Nova Travessia do Tejo, em 1998. Foi montado um sistema de monitorização dos licenciamentos, em tempo real, nos concelhos sob influência da ponte e fizeram-se estudos sobre os efeitos nos primeiros anos. Mas, por falta de recursos, o observatório fechou as portas em 2001 e o trabalho ficou por ali. Nos custos, também a ponte frustrou as expectativas. A sua construção prometia não onerar o Estado. Mas não foi o que aconteceu. O Governo foi obrigado a repor a perda de receitas das portagens na Ponte 25 de Abril, na sequência do "buzinão" de 1994. Dos cofres públicos já saíram 202 milhões de euros para a Lusoponte e vão ainda sair mais 16 milhões - ou seja, um quarto do valor da ponte. O Tribunal de Contas fez outros cálculos e chegou a uma factura muito maior. Aves em bom estado As aves são um capítulo à parte. Mesmo os ambientalistas mais contrários à localização da ponte reconhecem que, para já, não houve efeitos nefastos. "Do ponto de vista estrito da conservação das aves, não se perdeu muito. Conseguiram-se medidas de compensação importantes", afirma Jorge Palmeirim, ex-presidente da Liga para a Protecção da Natureza. Ampliou-se a Zona de Protecção Especial do Tejo e expropriaram-se 400 hectares de salinas no Samouco, Alcochete - onde as aves se alimentam e fazem ninhos. A sua mera posse pública evitou usos privados que destruíssem aqueles habitats. Mas a fundação criada pelo Governo para gerir aquele espaço e fazer dele um centro de excelência ambiental falhou, por falta das verbas. Hoje encontra-se moribunda e as próprias salinas estão a deteriorar-se. Notícias relacionadas:
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