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Portugal com 12 mil mortes anuais atribuíveis ao tabaco
publicado em 2007-06-26 10:43:24
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Em 2005 morreram em Portugal 108 mil pessoas e estima-se que o tabaco tenha sido responsável por 12.615 dessas mortes, revelou ontem em Lisboa o economista Miguel Gouveia, um dos autores do estudo Carga e custos da doença atribuível ao tabagismo em Portugal, o primeiro trabalho nacional sobre o tema.
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O cálculo dos riscos está feito. Por exemplo, um fumador tem uma probabilidade de ter um cancro do pulmão 23 vezes superior à de um não fumador; se for mulher, o risco é um pouco menor (13 vezes superior); mas se nunca se tivesse fumado em Portugal, num só ano - e os dados que serviram de base ao estudo reportam-se todos a 2005 - teria havido menos 12.615 mortes (11,7 por cento do total). Se todos os portugueses tivessem deixado de fumar nesse ano, a diminuição do número de óbitos tinha sido de 6220, isto porque o risco de doença não desaparece assim que cessa o hábito.
Do lado dos custos, estima-se que o tabaco tenha sido responsável nesse ano por 126 milhões de euros com internamentos hospitalares e por mais de 308 milhões de euros em medicamentos, consultas em centros de saúde e hospitais e meios complementares de diagnóstico (cuidados ambulatórios). Se os fumadores tivessem cessado o consumo, tinha-se poupado 64 milhões de euros em internamentos e 80 milhões de euros em cuidados ambulatórios, revela o estudo, resultado de uma parceria entre o Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa e o Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Se o cenário é já de si pessimista, então é preciso lembrar que o estudo não inclui nem fumadores passivos nem "fumadores cativos" (caso dos fetos na barriga das mães), disse a alta-comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, num comentário ao estudo apresentado no quadro da iniciativa Portugal sem Fumo, organizada pelo Hospital do Futuro e que juntou em Lisboa peritos para reflectirem sobre o tema.
Menos fumadores que em 98
A responsável revelou ainda que, se é verdade que os fumadores estão a abrandar em Portugal - eram 20,5 por cento em 1998, passaram a 20,2 por cento em 2005 -, "no grupo das raparigas dos 15 aos 24 anos aumentou 40 por cento". Enquanto nos homens há uma diminuição da dependência em todas as faixas etárias, nas mulheres há uma subida em todas as idades. Mas o grupo etário com a maior subida é mesmo o das portuguesas dos 15 aos 24 anos: em 1998 fumavam dez por cento, em 2005 esse grupo ascendia já aos 14 por cento.
Maria do Céu Machado referiu-se também a um estudo espanhol que apontava os bares e discotecas como uma das principais causas para o início da dependência. Questionada pelos jornalistas, a alta-comissária afirmou que é preciso que os deputados percebam que impacto pode ter uma lei do tabaco "menos restritiva" do que a que tinha sido preconizada pelo Governo. A proposta inicial previa a proibição de fumar em todos os locais com menos de 100 m2; a versão que deverá ser aprovada amanhã no Parlamento dá liberdade de escolha aos proprietários dos estabelecimentos.
Outra voz crítica em relação à versão que está para aprovação veio do director-geral de Saúde, Francisco George. "Não é justo que no plano legislativo se comparem as coimas do tabaco com as da droga. Ninguém se droga passivamente", disse. George lembrou que a lei pretende "defender os interesses de quem não fuma". "Estou convencido de que podíamos fazer mais."
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