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«O conflito da subida de preços vai chegar à Europa», porque «há um conjunto de bens básicos da alimentação que têm sofrido aumentos substanciais», como o pão e o leite, e «mais tarde ou mais cedo os níveis de inflação podem tornar-se muito superiores àquilo a que estamos habituados», explicou. O professor na Faculdade de Economia da Universidade do Porto apontou como única forma de inverter a tendência «aumentar a produção nacional» de alimentos, com os produtores a regressarem aos terrenos que deixaram de cultivar há uns anos. Por seu lado, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal (REAPP) alertou que o aumento dos preços dos bens alimentares está a levar algumas famílias a enfrentar «problemas no equilíbrio económico» e consequentemente a «ter dificuldades em manter o seu regime alimentar equilibrado». «As pessoas começam a queixar-se sobretudo na compra do pão», disse à TSF o Padre Jardim Moreira, adiantando que a longo prazo «esta situação não vai melhorar». O presidente da REAPP disse ainda recear que a escalada dos preços dos alimentos acabe por provocar uma enorme tensão social, inclusive situações de «violência». Também ouvido pela TSF, o director executivo da Oikos, uma organização que tem projectos de desenvolvimento em Moçambique, alertou para a tensão e deriva existente entre os agricultores daquele país, que dentro de poucos anos podem levar a um problema grave. «Em Moçambique existe, neste momento, uma tensão entre a produção de material vegetativo para a produção de biocombustível e de cereais», alertou João Fernandes, adiantando que se o problema persistir durante mais dois anos, o país vai enfrentar um «gravíssimo problema». Perante a crise, adiantou, Moçambique «terá de pagar mais para a importação de alimentos», enquanto «os dadores, que antes disponibilizavam alimentos, não vão poder continuar a fazê-lo». Para além da Oikos, vários organismos internacionais têm chamado a atenção para as graves consequências do aumento dos preços dos alimentos, sobretudo nos países em desenvolvimento. Notícias relacionadas:
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