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Portugueses querem abandonar o Líbano
publicado em 2006-07-17 09:43:50
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Cidadãos lusos estão assustados e já fizeram saber ao Governo que querem deixar o país o quanto antes. A operação de evacuação, organizada pela França, já está em marcha. O primeiro navio deverá sair de Beirute hoje ou amanhã, rumo ao Chipre.
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Pelo menos 18 pessoas já pediram ao governo português ajuda para abandonar o Líbano, afirmou ontem fonte da Secretaria de Estado das Comunidades. A mesma fonte não adiantou a data prevista para a retirada, que ficará a cargo das autoridades francesas. Entre os portugueses que ansiavam sair do país, reinava o desespero, face ao escalar da guerra entre Israel e o Hezbollah, que ontem motivou mais de 40 mortos, a sua maioria civis.
Entre os pedidos de evacuação feitos ao governo português incluem-se, além de 14 cidadãos lusos (sete turistas e sete residentes), uma cidadã guineense e o filho, bem como a mulher e o filho do cônsul do Brasil. A retirada vai ser organizada pelo governo francês, porque Portugal não tem embaixada no Líbano, onde foram identificados um total de 37 cidadãos portugueses.
A situação era ontem altamente desesperante para os portugueses que ansiavam deixar o país. Nélson José Abibe, um português cuja mulher, libanesa, reside em Beirute, narrou ao CM a ?odisseia? da mulher. ?Falei com ela e estava extremamente nervosa. Houve bombardeamentos não muito longe da casa dela... Já contactei as autoridades portuguesas e agora estou à espera que me contactem?, explica. Ibtifame rumou ontem à Síria com o filho de seis anos, de onde esperava vir para o nosso país, e reencontrar o marido, que trabalha na Guiné Bissau e está de férias em Portugal. ?A situação está bastante complicada. Os bombardeamentos não pararam até agora?, afirmou à TVI Caroline Arbadji, uma portuguesa emigrante no Líbano há seis anos. Vive no centro de Beirute, mas refugiou-se nas montanhas com os dois filhos. ?As pessoas estão a fugir, há um sentimento de medo, pânico e, sobretudo, impotência. Fui contactada pela secretária do cônsul honorário e estou na disposição de abandonar o país?, afirmou.
Já Pamela Lopes da Silva, de férias em Beirute com dois filhos menores (de quatro e dois anos), desespera porque não consegue ir buscar um outro filho, de seis anos, ao Sul do país, precisamente onde está a decorrer a ofensiva israelita. E interroga-se: ?Como vou explicar a estas crianças o que é uma bomba??. ?Estou sozinha, não tenho ninguém para me apoiar. Se pudesse, apanhava um avião para sair daqui com os meus meninos. Por favor, tentem parar com isto. Isto é que é terrorismo?, acrescentou, chorando.
Cremilde Navalhinhas, emigrante portuguesa no Líbano, afirmou à SIC que ?a situação é muito, muito crítica?. ?Começa a faltar comida e as farmácias estão a fechar, por falta de medicamentos?, contou entre lágrimas. ?Há portugueses que já saíram, por iniciativa própria, para a Síria. Tenho 62 anos e não quero meter-me nessas aventuras...?, concluiu.
Os portugueses deverão começar a sair já hoje ou, o mais tardar, amanhã, num navio fretado pelo governo francês.
ÊXODO ESTRANGEIRO DE BEIRUTE
A Suécia, Espanha, Itália, Arábia Saudita, Grécia, Polónia e os Estados Unidos activaram já a retirada dos seus cidadãos do Líbano.
A Suécia começou a retirada de cerca de 4000 suecos, através de autocarros para Damasco, de onde seguem de avião. A Espanha prepara já a segunda operação de evacuação, com recurso a aviões fretados pelo Ministério da Defesa daquele país e a Itália chegaram ontem, em dois voos, 350 pessoas.
A maior operação de evacuação é realizada pela Arábia Saudita que, nos últimos dias da semana passada, retirou 2500 sauditas. Os Estados Unidos evacuaram ontem o seu pessoal diplomático não essencial e cidadãos americanos que necessitam de cuidados médicos continuados.
A Polónia envia esta semana 150 soldados para retirar 700 polacos do Líbano e o Reino Unido posicionou ao largo daquele país dois vasos de guerra para a evacuação.
G8 APELA AO FIM DOS CONFRONTOS
Os líderes do G8, reunidos em São Petersburgo, apelaram ontem ao fim da ofensiva israelita e dos bombardeamentos do Hezbollah, numa declaração em que responsabilizam os ?extremistas? pelo novo surto de violência no Médio Oriente. O G8 apelou ainda à libertação dos soldados israelitas capturados e ao envio de uma nova força de observação e segurança da ONU. Também o Papa Bento XVI e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apelaram à calma.
DEVASTAÇÃO
Os bombardeamentos israelitas intensificaram-se ontem na capital libanesa, Beirute e no Sul do país, destruindo edifícios e alvos do Hezbollah. Os portugueses estão assustados e aguardam a repatriação através da embaixada francesa. Foram já fretados dois navios, o primeiro dos quais chegou ontem à noite a Beirute e deverá partir hoje ou amanhã.
'PAÍSES DA UE ENTREAJUDAM-SE' (António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesa)
Correio da Manhã ? Como estão os portugueses no Líbano?
António Braga ? Temos todos os portugueses identificados no Líbano e estão todos bem. Temos falado com eles através do nosso cônsul honorário em Beirute. Há uma cooperação com as autoridades francesas, cuja embaixada no Líbano fará o repatriamento dos portugueses que assim o desejarem.
? Como é que os portugueses vão sair do país?
? Alguns portugueses já manifestaram a vontade de sair. Logo que seja viável o plano de retirada que as autoridades francesas estão a estabelecer eles sairão. A saída não será feita por avião dado que não é possível utilizar o Aeroporto de Beirute porque está inoperativo. As autoridades francesas vão utilizar os meios marítimos na operação de retirada.
? Portugal não poderia fazer mais?
? Naquela zona nós não temos nenhuma força que nos habilitasse a fazer por meios próprios a retirada. Os países da União Europeia entreajudam-se também nestas circunstâncias. Noutras ocasiões somos nós que fazemos a retirada de cidadãos europeus tal como já aconteceu em Timor-Leste e na Guiné-Bissau. É a cooperação europeia neste domínio.
Paulo Madeira, com Carlos Menezes
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