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Investigadores americanos do projecto "Net Addiction" admitem que 10% dos utilizadores americanos sejam ciberdependentes. Com o intuito de apoiar e apresentar terapias, criaram o "Center for Internet Addiction Recovery" (Centro para a Recuperação da Dependência). Que terapias ? Nesse Centro, que tem página na Web -www.netaddiction.com - é possível obter respostas para o problema, avaliar o grau de dependência, através de um inquérito não científico (ver caixa ao lado) e ficar a saber quais as terapias e e exercícios a que se pode recorrer para diminuir o grau de dependência. Os investigadores ligados a este Centro, alertam no entanto para a dificuldade de detectar este vício, uma vez que "muitas vezes pode estar associada ou funcionar como substituto de outros". Mas não se trata de uma situação local - não fosse a internet um meio global e globalizante. Um estudo do serviço "Internet World Stats" refere que deverão ser mais de "50 milhões de pessoas dependentes da Web em todo o mundo". Em dez anos, de 1996 até 2006, o número de utilizadores passou 0,88% da população mundial (37 milhões) para 15,7%. Apesar de não existirem dados científicos na Europa, as autoridades de saúde alemãs realizaram um estudo que revelou uma grande percentagem de indivíduos que navega em média 34 horas por semana. Considerando que esse valor representa já uma preocupação, a Alemanha tem já uma clínica especializada precisamente em ciberdependência. O tratamento aplicado é personalizado e engloba medicação, vigilância médica e sessões de psicoterapia. Em Portugal ainda não existe nenhuma clínica centrada apenas na análise do problema, mas os especialistas, psicólogos e psiquiatras não estão alheios ao problema. Estudos teóricos Jorge Negreiros, do Centro de Investigação do Comportamento Desviante e Saúde (CICDS), da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, alerta que os estudos feitos sobre a ciberdependência são apenas a nível teórico. "Não existe nenhuma iniciativa para avançar para um estudo epidemiológico. Para tal seria necessário um financiamento de uma investigação deste fenómeno, que embora apaixonante, tem custos elevados". No entanto, admite "que se trata de um problema oculto, mas que deve ter uma prevalência elevada" no nosso país. O CICDS desenvolve desde há 18 anos investigações sobre dependências várias. Nos últimos anos, quando surgiu o conceito de comportamento aditivo, "tornou-se importante deslocar a importância das drogas, para chamar a atenção para outras dependências, como a internet", referiu o mesmo cientista ao JN. Carácter compulsivo Dá como exemplo o jogo compulsivo, que é também um fenómeno de dependência. "Não será física como a de algumas drogas - a heroína, por exemplo -, mas pode ser vista um pouco como a dependência da cocaína, que tem um efeito altamente psicológico e lhe confere um carácter compulsivo". O mesmo acontece em relação aos ciberdependentes. "Quando não têm hipótese de aceder à net apresentam sinais de irritabilidade, falta de sono, dores de cabeça. Reacções equivalentes às de síndrome de abstinência de substâncias, o que difere é o objecto", salientou. Os grupos de risco Para Jorge Negreiros, seguindo a experiência de especialistas internacionais, existem grupos de risco. As crianças estão incluídas nesse grupo, pelo uso intenso e inadequado da internet. "Os jovens e os profissionais cujo recurso à net é mais intensivo, são também os mais vulneráveis". A ciberdependência tem também diferentes tipos, de acordo com o utilizador. Os investigadores norte-americanos referem que os sites de carácter sexual e pornográfico apresentam uma elevada percentagem dos dependentes. Adiantam ainda que os homens procuram a "fantasia sexual na net", enquanto as mulheres procuram "relações românticas, preferindo o anonimato". Os homens são mais vulneráveis a ficarem dependentes de jogos online, já as mulheres procuram os "chat" e as compras online. O teste... científico? Afinal, como pode alguém saber se é um ciberdependente ou se está a seguir esse caminho? Na própria internet encontram-se já algumas formas de o avaliar. A melhor delas - garante pelo menos o seu autor - é o Teste de Dependência da Internet, constituído por 20 perguntas que mede o grau de viciação em fraco, moderado e grave. O nível das perguntas merece uma consulta. Começa com uma simples ("Com que frequência acha que fica on-line mais tempo do que tinha planeado?") e acaba com uma mais difícil ("Com que frequência se sente deprimido, irritadiço ou nervoso quando está off-line, o que desaparece quando está on-line?"). Mas tem questões mais incómodas, como esta "Com que frequência é afectada a sua capacidade de trabalho ou produtividade por causa da internet?". Pode dizer-se que este teste, desenvolvido pelo dr. Kimberly, parece um daqueles testes de revista. Ao caso, há quem garanta que não, que é mesmo o primeiro validado e mensurável sobre este problema do mundo moderno. Na dúvida, vale a pena ir ao sítio (www.netaddiction.com) e verificar. Notícias relacionadas:
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