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Psiquiatra acredita que vítimas dizem a verdade
publicado em 2006-04-04 10:14:21
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Álvaro Carvalho, um dos psiquiatra que acompanhou clinicamente alguns dos alunos da Casa Pia alvo de abusos sexuais, garantiu esta segunda-feira, em tribunal, que «na generalidade» os jovens não mentiram durante o julgamento.
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À saída da 165ª sessão do julgamento do processo Casa Pia, o psiquiatra, que prestou depoimento enquanto testemunha de acusação, disse que os relatos dos jovens acerca dos abusos sexuais são globalmente verdadeiros e defendeu que «só muito dificilmente» as vítimas se enganam na identificação dos abusadores.
Álvaro Carvalho, que pertence à comissão coordenadora de companhamento dos jovens da Casa Pia alegadamente abusados, referiu que não põe em causa a credibilidade dos seis jovens com mais de 18 anos que acompanhou (quatro dos quais com mais frequência), sublinhando que só depois de o caso surgir na comunicação social alguns deles «tiveram coragem para revelar o segredo dramático que os acompanhava».
«Dos que eu acompanhei mais de perto não tenho dúvidas que são pessoas com uma estrutura de personalidade que me leva a considerar que eles não mentiram», disse, acrescentando que durante o acompanhamento não lhe foram revelados nomes dos alegados abusadores.
Aliás, acrescentou o médico, «os abusos de que [os alunos] foram vítimas foram confirmados pela peritagem de medicina legal, que confirmaram abusos não só anais mas também de outro tipo».
«Não foram expressos nomes. Intencionalmente o meu papel não era o de repetir o papel do polícia, era um papel clínico (...), eu não tenho que estar a repetir inquirições e verificações se é verdade ou não se foi A, B ou C (os abusadores)», adiantou o médico.
O psiquiatra acentuou que, na maioria dos casos, entre a data dos alegados abusos sexuais e a actualidade não passaram muitos anos e, por isso, «não terá havido uma alteração significativa da memória».
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