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Sul-africanos lutam contra a SIDA com a ajuda de SMS
publicado em 2007-04-09 21:10:15
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Num subúrbio da Cidade do Cabo, cinco médicos e cinco enfermeiras têm que assistir 325 mil pessoas, 27 por cento das quais seropositivas. Os SMS vieram facilitar esta missão quase impossível.
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Em Gugulethu, nos arredores da Cidade do Cabo, mais de três mil pessoas tomam anti-retrovirais com a ajuda de mensagens de texto.
A clínica que existe na região tem cinco médicos e cinco enfermeiras para mais de 87 mil doentes. Com este ratio impossível, o uso de telemóveis, mais precisamente das mensagens de texto, veio dar uma grande ajuda. É através de SMS que a equipa presta assistência a cada um dos pacientes, garantindo que estes continuam a seguir o tratamento necessário.
"Sem telemóveis seria muito difícil ou mesmo impossível", garantiu, ao jornal El Pais, Lulu Mtwisha, coordenadora do projecto Sizophila (sobreviveremos, na língua local, o xhosa ) da fundação Desmond Tutu, em Gugulethu, que alberga 325.000 pessoas, 27 por cento das quais seropositivas.
Assim, cada uma das 25 assistentes da fundação, também elas seropositivas, consegue preencher a ficha clínica e o historial dos pacientes a partir das suas casas, sem perder tempo na viagem para a clínica. Através do telemóvel, equipado com um programa da Cell-Life que recolhe os dados psico-sociológicos e sintomáticos dos pacientes, enviam informações vitais para a base de dados central da clínica.
Saber em que tipo de casa habitam estas pessoas, se dispõem de alimentação condigna, se têm electricidade e água corrente, e qual é a situação laboral e familiar, permite a quem as atende calcular as hipóteses de fazerem a medicação necessária, que tem de ser tomada durante toda a vida.
Graças a este método, os pacientes apenas recorrem à clínica em casos extremos, o que tem permitido evitar o colapso do sistema de atendimento na região. Em caso de emergência, os doentes ligam para o assistente que, por sua vez, entra em contacto com a clínica, via SMS. O médico ou a enfermeira de serviço consultam então a ficha clínica, decidem o que é necessário fazer e comunicam-no pelo telemóvel.
Ainda assim, nem tudo são rosas. Segundo explica ao mesmo jornal esta equipa, as barreiras linguísticas (a África do Sul tem 11 línguas oficiais); a recusa dos pacientes em serem visitados em casa, com medo de serem estigmatizados; a criminalidade na zona, que transforma quem tem um telemóvel num alvo apetecível; a fragilidade dos aparelhos disponíveis e a falta de verbas para a sua substituição, são os maiores problemas.
A Cell-Life, que desde 2002 leva a cabo este projecto, idealizado pelo departamento de Engenharia Civil da Universidade da Cidade do Cabo (UCT), e apoiado pela Vodacom, assegura que vai continuar a aperfeiçoar o software.
As novas tecnologias vêm assim dar uma ajuda no combate ao VIH-SIDA, uma questão vital neste país com mais de cinco milhões de pessoas infectadas e um sistema de saúde saturado e carente de pessoal especializado.
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