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Traficante morto a tiro
 publicado em 2006-03-01 16:14:43

Um homem de 20 anos foi abatido, ontem, na sequência de um tiroteio entre um grupo de traficantes de droga e inspectores da Polícia Judiciária. O confronto ocorreu durante uma operação desencadeada às 04h30, na praia do Barranco das Belharucas, em Albufeira, onde a Directoria de Faro da PJ apreendeu cerca de duas toneladas de haxixe, cinco viaturas e um revólver de nove milímetros.
Traficante morto a tiro
Foram detidos seis homens e duas mulheres, todos portugueses e jovens. Um número indeterminado de traficantes conseguiu escapar e está a ser procurado pela Judiciária.

A droga estava a ser transportada para uma carrinha junto ao areal, entre as praias da Falésia e Olhos de Água, por um grupo de pelo menos dez pessoas, que recebeu a PJ a tiro. Os inspectores reagiram também a tiro e um dos indivíduos envolvidos no carregamento, natural de Lisboa, foi atingido durante o confronto e morreu. Na praia foram detidos quatro elementos da rede, já que os restantes (presumivelmente cinco) fugiram, aproveitando a escuridão e as características da praia, entrincheirada na falésia.

A PJ abriu um processo interno de averiguações para apurar as circunstâncias em que o homem foi abatido, nomeadamente por quem foi atingido. As armas dos inspectores envolvidos na operação foram recolhidas e o revólver apreendido na praia enviado para análise da Polícia Científica.

REDE NUMEROSA

Durante a operação, os inspectores apreenderam cinco viaturas: a carrinha Ford Transit, com matrícula falsa, que havia sido furtada em Lisboa e estava a ser carregada com os fardos de haxixe; um carro de alta cilindrada, cujo ocupante logrou fugir pela A22, sendo detido já na cidade de Faro e mais três viaturas ligeiras que outros três elementos da rede, também detidos, usavam na contra-vigilância, circulando nas imediações da praia.

O director nacional adjunto da PJ de Faro, Guilhermino da Encarnação, revelou que a operação, que contou com a colaboração da GNR e Brigada Fiscal de Albufeira, estava a ser preparada desde Junho do ano passado.

A organização, que integra cerca de 30 elementos, a maioria residentes na área da Grande Lisboa e os restantes na região algarvia, já estava referenciada por suspeita de envolvimento em vários roubos, furtos, falsificação de veículos e tráfico de droga.

Alguns dos detidos, com idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos, já cumpriram penas de prisão. A PJ remeteu para hoje mais esclarecimentos sobre o caso.

FARDOS CARREGADOS ÀS COSTAS

Classificada com o galardão de Praia Dourada, o Barranco das Belharucas, onde foi feita a descarga do haxixe, parecia ser o local ideal para a actuação dos traficantes: é isolado, tem apenas um acesso em terra batida e bons pontos de fuga pelo que, só o facto de a PJ estar de vigilância ao grupo, permitiu abortar a operação.

O carregamento dos cerca de 70 fardos para a carrinha era feito a pé, por uma parte do grupo, enquanto outros elementos faziam a contra-vigilância, em quatro viaturas que circulavam na estrada, a cerca de 200 metros do local. Os suspeitos só deram pelos inspectores quando viram os ?pirilampos? das viaturas policiais.

PORMENORES

CASAIS

O grupo utilizava mulheres, tendo duas jovens sido detidas. Casais, em viaturas estacionadas estrategicamente, simulavam relações amorosas para não levantar suspeitas e permitir vigilância a quem, eventualmente, acedesse à zona da descarga da droga. Um ?esquema? engenhoso e inédito.

EMBARCAÇÕES

Quando os inspectores chegaram à praia a droga já estava na carrinha. A PJ suspeita que, desta vez, o transporte do haxixe, vindo do Norte de África, não foi feito por uma lancha, mas sim por pequenas embarcações. O destino do estupefaciente não foi determinado. A rede é constituída totalmente por portugueses, embora tenha ramificações internacionais.

ACESSOS

Quando a equipa médica do INEM chegou ao local, cerca de 20 minutos após o tiroteio, conduzida por um inspector da PJ, o homem atingido a tiro já estava morto, embora tivesse resistido aos ferimentos durante alguns minutos. A dificuldade no acesso à praia obrigou os socorristas a percorrerem a pé 500 metros de terreno irregular e com fraca luminosidade.

INVESTIGAÇÃO

Os oito elementos detidos são ouvidos hoje no Tribunal de Tavira, cidade onde o grupo está referenciado pela prática de vários crimes. A PJ prossegue as investigações podendo efectuar mais detenções em breve. Devido ao sigilo das diligências que ainda ontem decorriam, a PJ recusou adiantar pormenores sobre a operação.

GALEGOS PREFEREM COSTA PORTUGUESA

As redes de tráfico de droga internacional ? principalmente as oriundas da Galiza, Espanha ? estão a privilegiar a costa portuguesa para a entrada na Europa de cocaína vinda da América do Sul e de haxixe do Norte de África. Os traficantes espanhóis preferem descarregar as encomendas marítimas em solo luso, para fugir à forte vigilância costeira e à grande capacidade de meios por parte das autoridades espanholas. Portugal, no entanto, apenas raramente é o destino final da droga.

Fonte policial confirmou ao CM que os narcotraficantes espanhóis estão, de facto, a desviar os descarregamentos para a costa portuguesa, assistindo-se a um regresso ao que aconteceu nos anos 80 e 90, em que Portugal ? sobretudo o Minho ? serviu de principal plataforma de abastecimento de droga para o mercado do país vizinho.

As diferenças de meios usados na vigilância da costa e no combate ao tráfico entre as forças policiais dos dois países estão na base da opção por terras lusas em detrimento de Espanha, onde as autoridades detêm hoje grande eficácia na vigilância da costa ? nomeadamente na Galiza, cuja irregularidade (devido às rias) cria fortes dificuldades de controlo e onde os traficantes gozavam de muitos locais de esconderijo.

Os espanhóis têm conseguido garantir meios eficazes de vigilância e controlo graças à celeridade de procedimentos burocráticos e judiciais: uma lancha rápida apreendida em Espanha, dois meses depois, está ao serviço das autoridades policiais.

Em Portugal, a lancha só pode reverter a favor do Estado depois do processo transitar em julgado e numa altura em que a lancha está já em fase adiantada de deterioração.

Para tentar superar a situação, as autoridades ibéricas têm apostado na cooperação, mais evidente nas zonas fronteiriças. Além disso, têm contado com a ajuda da agência norte-americana de combate ao tráfico (DEA), que tem uma delegação em Madrid e que terá estado envolvida nas investigações que levaram às apreensões de 12 toneladas de cocaína nos últimos meses em Viana do Castelo e no Alentejo. Há ainda a juntar duas toneladas apreendidas este mês em águas internacionais.

Em 2005, as autoridades portuguesas apreenderam 18 toneladas de cocaína (um aumento de 70% em relação a 2004). Este ano, só nos últimos dois meses, foram já apreendidas 14 toneladas.

CONCORRÊNCIA DE LESTE

O recurso à costa portuguesa por parte das redes de tráfico de droga espanholas conheceu a época mais visível nos anos 80 e 90. As zonas fronteiriças eram as privilegiadas, com destaque para o Minho, onde os traficantes aproveitaram os circuitos terrestres deixados pelo contrabando.

Foi uma realidade a que se dedicou de forma exaustiva o jornalista free-lancer Manso Preto, que editou o livro ?Minho Connection?. Apesar de sublinhar que os espanhóis nunca abandonaram a costa portuguesa, salienta que os traficantes ? e as próprias policias ? se debatem actualmente com a concorrência das máfias de Leste, que actuam no Sul e são caracterizadas pelo uso de violência e forte reacção armada.

DROGA ABUUNDA NA 'NET'

A venda de droga na internet, através de ?farmácias on-line?, tem vindo a aumentar na última década e é difícil avaliar ?a extensão do problema?, diz o relatório de 2005 sobre o problema da droga no mundo, divulgado ontem pelo Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes.

Segundo o OICE, as ?cyberfarmácias? dispõem de produtos como a metadona ou codeína, consumidos por toxicodependentes. É nos EUA que há mais ?cyberfarmácias?, abastecidas por drogas oriundas das Caraíbas e do México. China, Índia, Paquistão e Tailândia também constam da lista. Na Europa, o relatório faz referência à Holanda, como o país ?a partir do qual operam mais substâncias ilícitas?.

TIROS POLICIAIS

SINTRA

Um assaltante foi morto a tiro por um militar da GNR de Sintra, na sequência de uma perseguição, a 25 de Janeiro.

BARREIRO

Um rapaz de 19 anos, que tinha fugido à GNR, foi morto a tiro por um militar, no Barreiro, no dia 6 de Fevereiro.

LISBOA

?Corvo?, um recluso em fuga da Divisão de Investigação Criminal, em Lisboa, foi abatido a tiro por um polícia, em Junho de 2005.

ALMADA

Um rapaz de 17 anos foi morto por um militar da GNR, em Março de 2005, após o assalto a uma farmácia na Caparica, Almada.

SANTARÉM

O cabo Brejo da GNR está a ser julgado no Tribunal de Santarém por, há seis anos, ter morto a tiro um suspeito de tráfico de droga.




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