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A diligência, requerida pela defesa de Carlos Cruz ? único incriminado no teatro situado na Feira Popular ?, preencheu a 113.ª sessão do julgamento de pedofilia. Teve início às 9h38 e durou cerca de noventa minutos. Segundo apurou o CM, ?Pedro? ? que já garantiu em Tribunal que era o rapaz ?preferido? de Carlos Cruz por ter ?pele de bebé? ? mostrou aos juízes Ana Peres, Lopes Barata e Ester Santos onde era deixado por ?Bibi?, o percurso que fazia e o local exacto onde diz ter sido abusado: o primeiro andar do teatro. No entanto, tal como explicou o advogado da Casa Pia, Miguel Matias, o estado de degradação do local, aliado à distância de tempo em que ocorreram os factos ? entre 1997 e 1999 ? acabou por confundir o jovem. Questionado sobre qual era a cor das paredes do teatro, a vítima respondeu preto, quando na realidade eram de madeira, ou seja, de tons acastanhados. A contradição não terá passado em branco a Carlos Cruz, que, segundo apurou o CM, passou grande parte do tempo da perícia a sorrir. Matias explicou, porém, que o teatro se encontra actualmente desmantelado. Não tem cadeiras nem palco, o que provocou alguma confusão ao jovem. Questionado pelos juízes, Ministério Público e advogados, ?Pedro? reiterou que tinha visto Carlos Mota, ex-secretário de Carlos Cruz, junto ao teatro e garantiu que ?Bibi? nunca chegou a entrar no local, factos que foram corroborados pelo próprio ex-motorista da Casa Pia, tal como já afirmara no início do julgamento. ?Vi o senhor Cruz à porta do Teatro Vasco Santana. Já lá estava o Carlos Mota e miúdos entre os 13 e os 15 anos. Era para filmagens, código para forrobodó e festas com sexo à mistura?. Para a quinta inspecção realizada a um local pelo Tribunal ? depois da Provedoria, duas idas à Av. das Forças Armadas e casa de Elvas ?, ?Bibi? saiu de casa às 9h25, rodeado por quatro elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP. Antes de entrar num Lancia K que o transportou do Bairro de Santos até ao Teatro Vasco Santana, Silvino foi insultado e ameaçado de morte por alguns dos seus vizinhos, tal como tinha sucedido horas antes, quando, vindo do Estabelecimento Prisional junto à Polícia Judiciária, chegou a casa. O arguido, que responde por mais crimes no processo Casa Pia (604, a maioria de abuso sexual de crianças), não reagiu a qualquer dos comentários que ouviu. Limitou-se a olhar em frente, seguindo à risca as instruções que recebia dos agentes de autoridade. Durante o percurso para o primeiro encontro em liberdade com Carlos Cruz e uma das principais vítimas, acompanhado pelo CM, Carlos Silvino voltou a tapar a cara sempre que lhe era apontada uma máquina fotográfica. O mesmo voltou a acontecer no regresso a casa, ao final da manhã. Desta vez, porém, ?Bibi? tapou o lado errado da cara. "SILVINO TEM PROTECÇÃO EXCEPCIONAL" (Advogado diz que ?Bibi? está contente mas apreensivo) Passavam 13 minutos da meia-noite do dia 25, sexta-feira, quando Carlos Silvino dobrou a esquina do Bairro de Santos e atravessou a porta do n.º 1 da rua Alberto de Sousa. A pé, entre quatro elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP à paisana. ?Bibi? quase passou despercebido. No entanto, o gesto de tapar o rosto com uma das mãos denunciou-o e já à entrada de casa não escapou aos apupos e ameaças de morte dos poucos populares que estavam no Bairro de Santos, em Lisboa. Mesmo assim, o advogado José Maria Martins elogiou a actuação das autoridades: ?Foi uma operação de excelente qualidade por parte dos profissionais da PSP?. Os próprios agentes, aliás, não disfarçaram a satisfação que sentiam com o sucesso da operação ? saída de ?Bibi da prisão e regresso a casa. Só quase à uma hora da madrugada se voltou a vislumbrar movimento no local: quando os elementos da PSP saíram do prédio onde ?Bibi já está a viver. Porém, um elemento ficou a partir daquele momento de vigia no hall do 3.º andar, fechado a sete chaves. Além de uma porta blindada, todas as janelas da casa de ?Bibi? se encontram tapadas no interior. Ontem de manhã, o advogado Ramiro Miguel, que também defende ?Bibi?, revelou que a primeira noite do seu cliente em liberdade foi vivida com apreensão. ?Ao fim de três anos na prisão, disse-me que teve uma sensação estranha. E que antes de sair de casa estava apreensivo e ansioso. Contudo, está confiante por ter uma protecção excepcional?. REACÇÕES "A vítima reconheceu naturalmente o local. O que também ocorreu com o senhor Carlos Silvino. Isto, tendo em consideração que ambos estão a recordar algo que já se passou há muito tempo. Penso, contudo, que o jovem conseguiu confirmar o que já tinha dito, embora a memória dele relativamente a este espaço, Teatro Vasco Santana, não esteja preenchida." Miguel Matias, advogado das vítimas "A diligência correu bem, apesar de o Teatro Vasco Santana estar muito degradado. Pareceu-me, ainda, que o jovem estava nervoso. Digo isto por me ter apercebido que lhe custou muito reviver os abusos de que diz ter sido vítima por parte de Carlos Cruz." Ramiro Miguel, advogado de ?Bibi? "O senhor Carlos Cruz, relativamente às outras visitas, pediu para não ir porque eram locais que ele não conhecia. Aqui pediu para vir, uma vez que era um local que ele conhecia." Ricardo Sá Fernandes, defensor de Carlos Cruz "Correu muito bem. Foi uma audiência muito esclarecedora. Porquê? Para responder teria de descrever pormenores da audiência, situação que, julgo, estou impedido de fazer." Carlos Cruz, arguido "A visita ao local permitiu verificar algumas incongruências, tendo em conta aquilo que o jovem referiu em anteriores depoimentos. Em causa estavam aspectos relacionados com a descrição de coisas que relatou que não bateram certo com o que disse anteriormente. Naturalmente, não posso entrar em pormenores." Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes ENVENENAMENTO: JOVEM RECUPERA O jovem de 19 anos que, no passado domingo, tentou o suicídio ingerindo um dos mais letais herbicidas (Gramoxone) continua internado, mas, segundo soube o CM, está a ?recuperar bem?. ?Os tratamentos médicos a que ?Nuno? tem sido sujeito estão a ter bons resultados, principalmente ao nível da contaminação do sangue. Se tudo continuar a correr bem, o jovem pode ter alta na próxima semana?, revelou ao CM uma fonte muito próxima do jovem. Ana Luísa Nascimento / Octávio Lopes - correiomanha.pt
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